quarta-feira, 26 de agosto de 2009

pela Estrada Fora


Isto de andar para cima e para baixo com uma cabeça em anexo, é uma treta. Isto de termos o poder de pensar, reflectir, supor, interpretar, concluir, falar, esbracejar e chorar, é uma treta. Nós somos tão penalizados por termos inteligência como as moscas terem atracção por aquelas grelhas que delas fazem churrasco. E até para se nascer cão, é preciso ter sorte. Há os vagabundos maltratados e os príncipes da mamã. 
Este mundo é uma espécie de exame de geometria descritiva. Não entendemos a matéria, mas decorámos os passos para passar na disciplina que, mais provavelmente, não nos vai levar a lado nenhum. À vida também não sabemos porque a temos, mas acostumamo-nos a ela e batalhamos nos assuntos terráqueos como guerreiros e, no fim, o mais provável é também não sabermos o propósito de nenhum deles.
Mas se calhar é aí que está o segredo: em não entender nada. Viver. 

" Mas nessa altura dançavam pelas ruas, quais fantoches febris, e eu trotava atrás deles, como toda a vida fiz no alcanço das pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas autênticas, para mim, são as loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir, semelhantes a aranhas, através das estrelas e, no meio, vê-se o clarão azul a estourar e toda a gente exclama: Aaaah!"

in Jack Kerouac - Pela Estrada Fora. 

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dica de sobrevivência



Há muitas coisas a ter em conta para nos mantermos física e psiquicamente saudáveis. Mas acho que vou falar só da parte psíquica, porque da outra já todos sabemos tudo de cor e salteado, mesmo que não façamos nada do que deve ser feito. 
Regra de Ouro: não ligar ao que os outros pensam de nós.  
Eu sei, eu sei, é difícil. É difícil esquecer aquele almoço em que tivemos mais de meia hora com uma alface nos dentes e ninguém nos disse nada. É difícil deixar de lado aquela insegurança quando achamos que estamos gordos. E é difícil não nos irritarmos quando somos contrariados e quando somos confrontados com o facto de estarmos mais gordos. Ou até com o facto de termos uma alface nos dentes, ainda que fiquemos mais irritados ainda quando não nos avisam disso.
É difícil sentirmos que fomos mal interpretados, que aquela piada parva que dissemos a não sei quem no meio de um jantar, na maior das ingenuidades, se tornou numa verdadeira batida de frente. Minha e de quem teve de suportar a piada. 
É difícil depois ficarmos quietos, sem pedir desculpas e arranjar todos os argumentos possíveis e imaginários para que a piada venha de facto a ser só uma piada e não um pecado capital. E é cansativo também.
Não discordo de que devemos adaptar-nos uns aos outros, da melhor forma, mas como nem sempre é fácil, nem justo para nós mesmos, fugir à nossa própria natureza, nem sempre correspondemos da melhor forma às mais diferentes pessoas.  
E a solução mais sensata é a de não pensarmos mesmo em nada disso. Já tinha descoberto essa solução, mas nunca a tinha posto em prática... basicamente porque não é fácil de se por em prática. Parece confortável, e torna-se confortável com o tempo, mas no início é aquela luta clássica. Não queremos nunca, num modo quase egoístico, que alguém tenha má impressão de nós... mas isso... cansa...
Resolvi que não vou mais preocupar-me com o que a vizinha do lado pensa dos meus ténis encardidos (bem, isso nunca foi uma preocupação para mim, mas serve de exemplo). Não me vou preocupar com o que as pessoas pensam das minhas piadas, mais ou menos secas, mais ou menos agudas, mais ou menos inconscientes. Não me vou mais preocupar com o aquele "Bom dia" que não dei, nem com as expectativas que têm sobre mim, mais ou menos frustradas, deste ou daquele. Somos o que somos. Ainda que possamos controlar o mau feitio, não podemos controlar a ironia. Eu não consigo. E até acho que isso tem tudo a ver com bom feitio. 
Que mal há em rir-me de um gajo vestido com uns calções justos e t-shirt cor-de-rosa que indaga numa voz histérica "Onde está a minha pochete?". Não é por ter alguma coisa contra os gays, aliás não tenho nada, é só porque essa situação em particular é simplesmente cómica, quase a roçar o ridículo. Mas o melhor que essa pessoa pode fazer é ignorar o que eu penso ou acho dela! (Mas para que não haja dúvidas, este momento é fictício... mas lá estou eu a justificar-me... ).
O Manel acha que eu sou convencida? A Margarida acha que o Manel é feio? A carla acha que o Ricardo não tem estilo? O Ricardo acha que a Carla não sabe ser oportuna? Whatever... As pessoas são todas diferentes. 
Não nos é possível sair da perspectiva limitada do nosso eu individual e entrar em outros semelhantes ou completamente antagónicos.
Façam o vosso melhor, mas nunca se esqueçam que acima de tudo, o importante é estarmos em sintonia connosco mesmos.  

domingo, 19 de julho de 2009

Nostalgia?


Já imaginaram o que seria o mundo se não existisse nostalgia? Se fosse sempre tudo tão homogéneo que não fosse sequer preciso lembrar o passado. Se não houvesse mudanças, nem novidades, se não houvesse nascimento nem morte. Apenas o presente, continuo e imutável. Devia ser bom... 

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Das duas, três!


   Estou confusa. As mesmas pessoas que sempre me disseram "nunca te metas na droga porque isso mata", são as mesmas que agora me dizem "todos temos uma hora marcada. Só Deus sabe quando.".
Então como é? Das duas uma... Porque senão começa a parecer-me mais 'das duas três'! Porque nas entrelinhas esconde-se outra hipótese qualquer... quem sabe a "cá se fazem, cá se pagam", ou seja, ou te portas bem ou Deus castiga-te. 
   Não tenciono meter-me em coisa alguma, mas inevitavelmente, estes questões dão que pensar. 

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sete Esquilos e Uma Princesa




"Sete esquilos e Uma Princesa" (montagem photoshop)

Tudo o que parece ser não o é. Aqui há mais de dez elementos transportados para uma imagem original, que era desprovida de vida e que agora narra a história de uma princesa, e seus sete esquilos, acabados de aterrar num ovo espacial numa micro-esfera paralela. Tudo o resto fica à vossa imaginação.  

A spooky trip



"A spooky Trip"  (caneta preta bic, colagens em papel vegetal..)

Esta ilustração deu-me uma carga de trabalhos. Imaginem o que é preencher tudo com caneta bic!
É para uma das histórias do livro "As formigas", de Boris Vian, que narra a história de uma estranha viagem em que os intervenientes acabam por esquartejar um dos elementos só porque ele não fala nem participa nos diálogos que se desenvolvem naquela carruagem. E quanto mais o molestam, menos reacções dele conseguem. Enfim, Boris Vian, sempre tétrico e altamente surreal... 


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Quem é Deus?



- Quem é Deus? 
- Não sabes quem é Deus? Então, Deus é aquele tipo que nunca faz o que lhe pedes!