Today I am going to write in english.
For two reasons: first because I am living in London, and now I have more friends who don't understand portuguese than ever, second because the subject of this text is actually this: how languages change the way people see you.
As a portuguese person, I am fluent in portuguese. I am used to have all sort of words in my lexico to say and demonstrate whatever I want to tell. And things go fluently whithout thinking to much or having to chase words to explain what I want to explain. Basicly I am able to be more the real me.
Because no matter how fluent I am in my English, I always feel there are millions of unknow words still to know. And no matter the millions words I know already, I will always be speaking a language that is not mine.
Now a days I feel I am not talking with my heart but with my brain. I am feeling like a "Mercedes" that became a "Fiat Uno", from running and working fast to a slow processing. Spontaneity become hard.
The way you say something funny in Portuguese, will never be so funny in English, because in your mother language it has a different result than if you just say it in other language. In English, you also have many different ways to say something in a funny way, but you just don't know how. And if you know how and everybody laughs, it doesn't sound so funny to yourself anyway, because is not your language, it's not as you firstly thought it, and because you probably spent twice of the energy to tell that funny something than the energy you would spend if you were speaking your natural idiom. It is a mistake to think that literal translations work, because the majority of times.. they don't. Start getting used to "yellow smiles".
So, the problem is not the English itslef. I lived almost two years in Barcelona and I learned Spanish also. But even Spanish being so much more similar to Portuguese than English is, I remember feeling out of my heart the same way.
I had became someone I am not, or maybe I am the same person, just not so easy to know, but definitly reactions are different.
Aqui não se seguem regras (à parte do respeito pela ortografia e pelos retratados nos demais desvarios). Publico textos sem ordem em especial assim como tão pouco existe um formato de registo: tanto posso manter uma linguagem 'erudita' como saltar para a completa 'parvoíce'. Dou o meu melhor, e não o melhor que há, porque, de facto, não estou à espera do troféu do Blog-do-Ano, mas pretendo, sim, exclamar a minha individualidade porque a comunicação é o primeiro passo para a evolução.
sábado, 8 de outubro de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
E o povo, pá!?
Todos os dias acordo com a sensação de que não percebo nada de política, que não sei nada sobre os partidos, não entendo nada de finanças e muito menos poderia ser primeira-ministra sem ser corrida de lá a pontapé.
Mas todos os dias acordo com a sensação de que algo muito estranho se passa aqui. E o povo, pá?
Mas todos os dias acordo com a sensação de que algo muito estranho se passa aqui. E o povo, pá?
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Zelosus
A palavra 'ciúme' tem origem nas palavras zelumen ou zelosus, do latim, que por sua vez têm origem na palavra zelos, que significa ardor, fervor ou intenso desejo. Zelos vem da mesma raiz grega que deu origem às palavras castelhana, francesa e inglesa, celos, jalousie e jeaulosy, respectivamente.
Quando uma palavra existe é porque aquela acção, sentimento ou condição também existe de facto. E se essa palavra existe há milhares de anos, é fácil supor que essa mesma acção, sentimento ou condição também existe há milhares de anos. (Também é verdade que continuam imensas definições por atribuir, porque todos os dias encontramos uma nova tara ou um novo bicho, e também há depois palavras como 'gambuzino' para nomear um animal que simplesmente não existe, mas prevalece a ideia. Concluimos então que, embora o tal gambuzino nunca tenha sido visto nem apareça nas enciclopédias científicas, o um bicho fisicamente 'inexiste', mas na nossa fantasia ele é bem real e tem todo o direito a ser 'perfilhado'.)
Ciúmes, Celos, Jalousie, Jeaulosy... é aquela coisa que nos consome as entranhas, nos tira a fome, nos faz roer as unhas e arrancar uns quantos cabelos. E há quem diga que é uma doença, uma tara, um problema e um distúrbio. Sim.. será um distúrbio quando se passa o limite entre o real e o irreal e se começa a perder as estribeiras com coisas 'idiotas' como quando o nosso 'mais-que-tudo' diz um obrigado e sorri à menina da caixa registadora do Pingo-Doce ao receber o troco. Isso talvez não seja muito normal nem tão pouco saudável... e bastante enervante para quem tem de levar com a 'ciumeira'. Mas, de facto, sentir ciúmes é tão natural como beber água.
Diz o dicionário o seguinte "reacção complexa a uma ameaça preceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade". E eu não precisava ter verificado o dicionário para saber o significado exacto do sentimento ciúme. Ele apenas me deu uma definição num português mais pomposo, e não deixo de lhe ficar grata por isso. Nenhum de nós precisaria verificar o dicionário, de facto, porque todos nós já sentimos a tal coisa do ciúme e, tendo ou não um vasto leque de palavras para o descrever, o sentimento é parecido em todos nós.
Seria maravilhoso que não o sentissemos, porque apesar de ser uma coisa bastante humana (..a até animal.. porque se eu puser a minha cadela junto com a cadela do meu irmão, é observar a ciumeira que se instala porque ambas querem atenção! Mas de animais não vou falar, já que é outro mundo distinto), é uma das maiores ameaças à nossa liberdade. À liberdade de expressão de quem quer galantear meio mundo e à liberdade emocional para quem sofre com o medo da perda.
Zelos leva-nos imediatamente ao nosso verbo bem portugês 'zelar', zelar por algo que nos é querido. Zelar pelos momentos que nos fazem sentir bem. Zelar por aquilo que não queremos perder de maneira nenhuma, ou zelar por aquilo que, pensamos nós, devia ser só nosso.
E aqui entra outro conceito, o da 'possessão'. Se eu comprar uma casa, ela é minha por direito, mas o meu namorado ou a namorada do Zé da esquina não é uma propriedade. Já lá vai bem longinqua a época da escravatura, em que homens eram propriedades de outros homens, e, embora acredite que tudo o que acontece no mundo, por mais aberrante que seja, pode não ser mera coincidência, mas um processo longo e muroso de aprendizagem (Deus à parte, a natureza sempre soube o que fez) tal coisa nunca devia ter sequer acontecido.
Pode sentir-se ciumes sem necessariamente sentirmos um sentimento de posse. No nosso eu mais racional sabemos que ninguém é de ninguém, mas no nosso ser mais irracional, desejamos ferverosamente que não tenhamos de partir umas quantas pernas por vingança.
Mas com peso e medida, o ciúme também pode ser uma coisa boa. É a demonstração de que queremos aquela pessoa junto de nós, e isso fá-la sentir-se especial. Foram mais as vezes que me culpei por não sentir ciúme algúm do que as vezes que me culpei por senti-lo. E quando fui eu a razão do ciúme, o meu ego inchou-se.
Talvez um dia sejamos tão livres como um papagaio sem corda, voando ao sabor do vento, sem nada que nos prenda ao solo, mas até lá, certifiquem-se apenas que as vossas cordas são grandes o suficiente para poder dançar. Quanto mais livres nos sentirmos das ameaças constantes do mundo à nossa volta, seguramente seremos bastante mais felizes.
Quando uma palavra existe é porque aquela acção, sentimento ou condição também existe de facto. E se essa palavra existe há milhares de anos, é fácil supor que essa mesma acção, sentimento ou condição também existe há milhares de anos. (Também é verdade que continuam imensas definições por atribuir, porque todos os dias encontramos uma nova tara ou um novo bicho, e também há depois palavras como 'gambuzino' para nomear um animal que simplesmente não existe, mas prevalece a ideia. Concluimos então que, embora o tal gambuzino nunca tenha sido visto nem apareça nas enciclopédias científicas, o um bicho fisicamente 'inexiste', mas na nossa fantasia ele é bem real e tem todo o direito a ser 'perfilhado'.)
Ciúmes, Celos, Jalousie, Jeaulosy... é aquela coisa que nos consome as entranhas, nos tira a fome, nos faz roer as unhas e arrancar uns quantos cabelos. E há quem diga que é uma doença, uma tara, um problema e um distúrbio. Sim.. será um distúrbio quando se passa o limite entre o real e o irreal e se começa a perder as estribeiras com coisas 'idiotas' como quando o nosso 'mais-que-tudo' diz um obrigado e sorri à menina da caixa registadora do Pingo-Doce ao receber o troco. Isso talvez não seja muito normal nem tão pouco saudável... e bastante enervante para quem tem de levar com a 'ciumeira'. Mas, de facto, sentir ciúmes é tão natural como beber água.
Diz o dicionário o seguinte "reacção complexa a uma ameaça preceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade". E eu não precisava ter verificado o dicionário para saber o significado exacto do sentimento ciúme. Ele apenas me deu uma definição num português mais pomposo, e não deixo de lhe ficar grata por isso. Nenhum de nós precisaria verificar o dicionário, de facto, porque todos nós já sentimos a tal coisa do ciúme e, tendo ou não um vasto leque de palavras para o descrever, o sentimento é parecido em todos nós.
Seria maravilhoso que não o sentissemos, porque apesar de ser uma coisa bastante humana (..a até animal.. porque se eu puser a minha cadela junto com a cadela do meu irmão, é observar a ciumeira que se instala porque ambas querem atenção! Mas de animais não vou falar, já que é outro mundo distinto), é uma das maiores ameaças à nossa liberdade. À liberdade de expressão de quem quer galantear meio mundo e à liberdade emocional para quem sofre com o medo da perda.
Zelos leva-nos imediatamente ao nosso verbo bem portugês 'zelar', zelar por algo que nos é querido. Zelar pelos momentos que nos fazem sentir bem. Zelar por aquilo que não queremos perder de maneira nenhuma, ou zelar por aquilo que, pensamos nós, devia ser só nosso.
E aqui entra outro conceito, o da 'possessão'. Se eu comprar uma casa, ela é minha por direito, mas o meu namorado ou a namorada do Zé da esquina não é uma propriedade. Já lá vai bem longinqua a época da escravatura, em que homens eram propriedades de outros homens, e, embora acredite que tudo o que acontece no mundo, por mais aberrante que seja, pode não ser mera coincidência, mas um processo longo e muroso de aprendizagem (Deus à parte, a natureza sempre soube o que fez) tal coisa nunca devia ter sequer acontecido.
Pode sentir-se ciumes sem necessariamente sentirmos um sentimento de posse. No nosso eu mais racional sabemos que ninguém é de ninguém, mas no nosso ser mais irracional, desejamos ferverosamente que não tenhamos de partir umas quantas pernas por vingança.
Mas com peso e medida, o ciúme também pode ser uma coisa boa. É a demonstração de que queremos aquela pessoa junto de nós, e isso fá-la sentir-se especial. Foram mais as vezes que me culpei por não sentir ciúme algúm do que as vezes que me culpei por senti-lo. E quando fui eu a razão do ciúme, o meu ego inchou-se.
Talvez um dia sejamos tão livres como um papagaio sem corda, voando ao sabor do vento, sem nada que nos prenda ao solo, mas até lá, certifiquem-se apenas que as vossas cordas são grandes o suficiente para poder dançar. Quanto mais livres nos sentirmos das ameaças constantes do mundo à nossa volta, seguramente seremos bastante mais felizes.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Sessão Dr Phill
São raras as vezes que ligo a televisão. Mais raras são as vezes que me proponho a assistir programas como o do Dr Phill. E uma das razões é pela oferta constante da confirmação da loucura/estupidez que anda à solta. Até dá medo sair de casa.
Mas desta vez fiquei absorvida. O Dr Phill é um senhor, um excelente mediador, com uma conduta exemplar, ou pelo menos desempenha bem o papel em palco, mesmo que depois chegue a casa e parta a loiça toda. Pois, pouco interessam neste momento as suas qualidades enquanto apresentador, psicólogo, advogado, e seja lá mais o que ele for. Aqui ele é um 'boneco'. O assunto é outro.
O assunto em discussão era "casamentos homossexuais".
Não sei porquê que me continuo a espantar com a estupidez alheia, mas a verdade é que continuo. E tenho cá para mim que isso é saudável.
Havia casais homossexuais e heterossexuais como convidados. Cada um a puxar a brasa à sua sardinha.
Um dos casais, dois homens, com duas lindas meninas adoptadas, dizem "Nós apenas queremos ver e sentir que somos iguais perante a sociedade e perante a lei." Não conhecendo as criaturas de parte alguma, pareceram-me pessoas sensatas e sensíveis. Cidadãos comuns, com aspirações tão triviais como o de ter uma familia.
Qual o meu espanto quando um dos casais heterossexual responde com a seguinte bordoada: "Não concordamos, o casamento homossexual vem destabilizar a estrutura tradicional da familia. Não bíblia Deus diz que uniões do mesmo sexo é pecado. E estamos muito preocupados porque o nosso filho no outro dia perguntou se um dia seria obrigado a casar com um homem caso a lei dos casamentos homossexuais fosse aprovada. Isto está a deixar as crianças confusas".
A minha vontade foi de saltar para dentro do ecrã e atirar-me ao gasganete daquela gente. Coitado do filho que se, por acaso, for gay... tá "feito ao bife". E mesmo não sendo, é filho de duas pessoas ignorantes que não conseguem pensar por si mesmas sem recorrer a coisas que alguém escreveu... há só uns 3000 atrás. (ah, não, foi só há 2000...ou talvez há 900...ou talvez há 750..ninguém sabe... mas é de certo credível! Enfim...)
Que força imensa é esta que a Bíblia detém? Que força imensa é esta que as leis humanas detêm?
Deixamos de nos permitir sentir e viver a nossa natureza. Formatamos os nossos pensamentos, opiniões, sensações para pertencer a um padrão. O padrão "correcto".
Ser mau para o próximo parece-me a mim o único pecado. E não permitir que alguém seja feliz por puro egoísmo e medo de perder a "estrutura tradicional" é ser-se mau para o próximo.
Tenho a convicção de que aquelas duas meninas que estão a ser criadas pelo casal homossexual vão ser infinitamente mais felizes que o filho do casal retardado.
Deus disse, no livro do Génesis, "Eu sou aquilo que é". Ninguém tenta perceber estas frases mais enigmáticas, saltam logo para a parte das catástofres e lêem-nas de forma literal. Mas como não sou perita nas escrituras sagradas e para não cair no ridículo nem ofender ninguém, apenas deixo a minha interpretação.
"Eu sou aquilo que é" insita-nos à meditação, ao descobrir do nosso eu mais profundo, sem conceitos, preconceitos, opiniões, vontades, expectativas, ilusões. "Eu sou aquilo que é" diz-nos que devemos deixar de lado tudo o que nos transforma em palavras e descrições. Somos aquilo que somos. Sejam, sintam, vivam, amem.
Mas desta vez fiquei absorvida. O Dr Phill é um senhor, um excelente mediador, com uma conduta exemplar, ou pelo menos desempenha bem o papel em palco, mesmo que depois chegue a casa e parta a loiça toda. Pois, pouco interessam neste momento as suas qualidades enquanto apresentador, psicólogo, advogado, e seja lá mais o que ele for. Aqui ele é um 'boneco'. O assunto é outro.
O assunto em discussão era "casamentos homossexuais".
Não sei porquê que me continuo a espantar com a estupidez alheia, mas a verdade é que continuo. E tenho cá para mim que isso é saudável.
Havia casais homossexuais e heterossexuais como convidados. Cada um a puxar a brasa à sua sardinha.
Um dos casais, dois homens, com duas lindas meninas adoptadas, dizem "Nós apenas queremos ver e sentir que somos iguais perante a sociedade e perante a lei." Não conhecendo as criaturas de parte alguma, pareceram-me pessoas sensatas e sensíveis. Cidadãos comuns, com aspirações tão triviais como o de ter uma familia.
Qual o meu espanto quando um dos casais heterossexual responde com a seguinte bordoada: "Não concordamos, o casamento homossexual vem destabilizar a estrutura tradicional da familia. Não bíblia Deus diz que uniões do mesmo sexo é pecado. E estamos muito preocupados porque o nosso filho no outro dia perguntou se um dia seria obrigado a casar com um homem caso a lei dos casamentos homossexuais fosse aprovada. Isto está a deixar as crianças confusas".
A minha vontade foi de saltar para dentro do ecrã e atirar-me ao gasganete daquela gente. Coitado do filho que se, por acaso, for gay... tá "feito ao bife". E mesmo não sendo, é filho de duas pessoas ignorantes que não conseguem pensar por si mesmas sem recorrer a coisas que alguém escreveu... há só uns 3000 atrás. (ah, não, foi só há 2000...ou talvez há 900...ou talvez há 750..ninguém sabe... mas é de certo credível! Enfim...)
Que força imensa é esta que a Bíblia detém? Que força imensa é esta que as leis humanas detêm?
Deixamos de nos permitir sentir e viver a nossa natureza. Formatamos os nossos pensamentos, opiniões, sensações para pertencer a um padrão. O padrão "correcto".
Ser mau para o próximo parece-me a mim o único pecado. E não permitir que alguém seja feliz por puro egoísmo e medo de perder a "estrutura tradicional" é ser-se mau para o próximo.
Tenho a convicção de que aquelas duas meninas que estão a ser criadas pelo casal homossexual vão ser infinitamente mais felizes que o filho do casal retardado.
Deus disse, no livro do Génesis, "Eu sou aquilo que é". Ninguém tenta perceber estas frases mais enigmáticas, saltam logo para a parte das catástofres e lêem-nas de forma literal. Mas como não sou perita nas escrituras sagradas e para não cair no ridículo nem ofender ninguém, apenas deixo a minha interpretação.
"Eu sou aquilo que é" insita-nos à meditação, ao descobrir do nosso eu mais profundo, sem conceitos, preconceitos, opiniões, vontades, expectativas, ilusões. "Eu sou aquilo que é" diz-nos que devemos deixar de lado tudo o que nos transforma em palavras e descrições. Somos aquilo que somos. Sejam, sintam, vivam, amem.
sábado, 30 de outubro de 2010
Fazendo o Walt Disney girar na própria tumba
Tenho vontade de processar o Walt Disney. Pena que o senhor já tenha morrido e nao possa ir a tribunal.
O problema é o seguinte: houve geraçoes inteiras a crescer com demasiadas fantasias. A minha ainda foi uma delas. Talvez pertença à última geraçao ingénua, mas nao tenho especial orgulho nisso. Acho que as crianças deviam ser ensinadas desde cedo a ver a realidade. E isso nao tem nada de infeliz, se a realidade for demonstrada como sendo uma coisa boa. As crianças podem continuar a ser crianças, mas pelo menos já estao mais alerta da realidade, porque rápido o contos de fadas se tornam em contos de bruxas porque crescemos demasiado dependentes da ficçao, e a ficcao é, como o próprio nome indica, ficçao. A sinceridade tornar-nos-ia a todos mais preparados para viver a vida em pleno, se desde um princípio fossemos instigados a conhecer a verdade, a saber lidar com ela e a sermos felizes incondicionalmente.
Comecemos pela demonstraçao de que todos esperamos pelo grande amor. As mil e uma histórias que nos contam o encontro afortunado de dois seres que se apaixonam têm o seu quê de mágico, e é uma mensagem válida, boa e bonita. Mas nao é totalmente honesta. Acredito que existam várias pessoas especiais e nao apenas uma. Nao acho no entanto que devessemos descartar-nos de uma pessoa sempre que nos fartamos dela para ir a correr atrás de outra nova, mas as relaçoes seriam todas mais facéis se nao houvesse tanto o sentimento intrínseco de obrigatoriedade, porque o 'para sempre' acaba por assustar. Se nao houvesse essa cultura do 'para sempre', acredito que as coisas até seriam, efectivamente, mais duradouras. Acredito que estariamos todos mais preparados para dar e receber amor.
Mais importante que isso, devia ensinar-nos, em primeiro lugar, a sermos felizes conosco próprios e nao a estar incessantemente na busca do príncipe encantado, ainda que haja à mistura uma vontade natural e fisiológica de procurar um par. Mas se nao soubermos ser felizes sozinhos, acredito que ninguém será feliz, mesmo ao lado da 'alma gémea'...
A cereja no topo do bolo é, claro está, o "e viveram felizes para sempre", porque depois o Walt Disney nunca mostra a realidade do dia-a-dia desse casal. Pressupomos entao que tudo será perfeito, nao haverá discussoes, nao haverá duvidas, nao haverá tristezas nem dias menos bons, porque eles vivem sempre felizes para sempre. Pressupomos tambem que nunca existem separaçoes, e que a separaçao é completa e inequivocamente um erro crasso.
É por essas e por outras que há tantas crianças a sofrer com o divórcio dos pais. Mesmo que os pais vivam uma separaçao saudavel e nunca deixem de dar atençao aos filhos, já houve uma quebra quase irrecuperável na cabeça infantil e formatada pelo "e viveram felizes para sempre". O pior mesmo é que sao raras as separaçoes saudaveis, porque os próprios pais nao sabem lidar com a imperfeiçao.
Vivemos obsecados com a ideia da perfeiçao, chateamo-nos facilmente com coisas sem importância, nao aprendemos a olhar o outro como uma parte de nós mesmos. Vivemos também obsecados com a ideia de que o eterno e permanente só existe com um casamento. Quando, na realidade, após conhecer uma pessoa e viver com ela momentos de terna alegria, o mais certo é que essa pessoa permaneça na nossa vida para sempre, independentemente de estarmos casados ou nao com ela, independentemente de termos, entretanto, encontrado um novo amor. Acredito profundamente que ninguém substitui ninguém.
No entanto, graças ou nao ao Walt Disney, tenho a tentaçao de dizer: o amor é bonito. Duas pessoas juntas formam um todo mais coeso. Mas ninguem é perfeito. A perfeiçao está nas nossas intençoes de sermos felizes e fazer alguem feliz, mesmo nos dias de chuva.
P.S. após ler o meu texto outra vez deparei-me com uma serie de erros que entretanto já corrigi. O castelhano está, sem dúvida, a atrapalhar o meu português. eheh
O problema é o seguinte: houve geraçoes inteiras a crescer com demasiadas fantasias. A minha ainda foi uma delas. Talvez pertença à última geraçao ingénua, mas nao tenho especial orgulho nisso. Acho que as crianças deviam ser ensinadas desde cedo a ver a realidade. E isso nao tem nada de infeliz, se a realidade for demonstrada como sendo uma coisa boa. As crianças podem continuar a ser crianças, mas pelo menos já estao mais alerta da realidade, porque rápido o contos de fadas se tornam em contos de bruxas porque crescemos demasiado dependentes da ficçao, e a ficcao é, como o próprio nome indica, ficçao. A sinceridade tornar-nos-ia a todos mais preparados para viver a vida em pleno, se desde um princípio fossemos instigados a conhecer a verdade, a saber lidar com ela e a sermos felizes incondicionalmente.
Comecemos pela demonstraçao de que todos esperamos pelo grande amor. As mil e uma histórias que nos contam o encontro afortunado de dois seres que se apaixonam têm o seu quê de mágico, e é uma mensagem válida, boa e bonita. Mas nao é totalmente honesta. Acredito que existam várias pessoas especiais e nao apenas uma. Nao acho no entanto que devessemos descartar-nos de uma pessoa sempre que nos fartamos dela para ir a correr atrás de outra nova, mas as relaçoes seriam todas mais facéis se nao houvesse tanto o sentimento intrínseco de obrigatoriedade, porque o 'para sempre' acaba por assustar. Se nao houvesse essa cultura do 'para sempre', acredito que as coisas até seriam, efectivamente, mais duradouras. Acredito que estariamos todos mais preparados para dar e receber amor.
Mais importante que isso, devia ensinar-nos, em primeiro lugar, a sermos felizes conosco próprios e nao a estar incessantemente na busca do príncipe encantado, ainda que haja à mistura uma vontade natural e fisiológica de procurar um par. Mas se nao soubermos ser felizes sozinhos, acredito que ninguém será feliz, mesmo ao lado da 'alma gémea'...
A cereja no topo do bolo é, claro está, o "e viveram felizes para sempre", porque depois o Walt Disney nunca mostra a realidade do dia-a-dia desse casal. Pressupomos entao que tudo será perfeito, nao haverá discussoes, nao haverá duvidas, nao haverá tristezas nem dias menos bons, porque eles vivem sempre felizes para sempre. Pressupomos tambem que nunca existem separaçoes, e que a separaçao é completa e inequivocamente um erro crasso.
É por essas e por outras que há tantas crianças a sofrer com o divórcio dos pais. Mesmo que os pais vivam uma separaçao saudavel e nunca deixem de dar atençao aos filhos, já houve uma quebra quase irrecuperável na cabeça infantil e formatada pelo "e viveram felizes para sempre". O pior mesmo é que sao raras as separaçoes saudaveis, porque os próprios pais nao sabem lidar com a imperfeiçao.
Vivemos obsecados com a ideia da perfeiçao, chateamo-nos facilmente com coisas sem importância, nao aprendemos a olhar o outro como uma parte de nós mesmos. Vivemos também obsecados com a ideia de que o eterno e permanente só existe com um casamento. Quando, na realidade, após conhecer uma pessoa e viver com ela momentos de terna alegria, o mais certo é que essa pessoa permaneça na nossa vida para sempre, independentemente de estarmos casados ou nao com ela, independentemente de termos, entretanto, encontrado um novo amor. Acredito profundamente que ninguém substitui ninguém.
No entanto, graças ou nao ao Walt Disney, tenho a tentaçao de dizer: o amor é bonito. Duas pessoas juntas formam um todo mais coeso. Mas ninguem é perfeito. A perfeiçao está nas nossas intençoes de sermos felizes e fazer alguem feliz, mesmo nos dias de chuva.
P.S. após ler o meu texto outra vez deparei-me com uma serie de erros que entretanto já corrigi. O castelhano está, sem dúvida, a atrapalhar o meu português. eheh
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Cérebros comandados
Atravessamos actualmente uma crise... a dos cérebros comandados.
Quem é que já não se perguntou "Porque tenho eu de me levantar às 7h da manhã e estar numa sala de aula a decorar símbolos químicos que depois vou esquecer em poucos dias?"
Ok, não estou a querer dizer que a educação é dispensável, antes pelo contrário. Apenas reflito acerca dos meios usados para que essa mesma educação chegue até nós, não de chicote em riste, mas é quase como se fosse (eu cá nunca gostei de acordar cedo).
Os países de todo o mundo estão ávidos de sucesso económico, e isso leva-os a contrariarem a tal democracia na qual pensamos todos viver. Estão a ser criadas máquinas dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados e felizes, capazes de pensarem por si mesmos.
E porque vem à baila agora este assunto? Porque me sinto pouco realizada dentro da minha sala de aula, onde tenho de estar permanentemente em alerta, não vá o professor perguntar-me algo sinistro e, em caso de sair babuzeira da minha boca, levar com aquele olhar "tu és um bocado estúpida e daqui vais para o desemprego".
Vejo que as Humanidades e as Artes estão a perder terreno, mesmo até nas áreas supostamente artísticas, como a minha. Animação 3D tem muito de técnica, mas também devia dar-me a liberdade suficiciente para criar. E até a tenho...simplesmente porque eu não ouço o professor.
As artes são acessórios inúteis e há que combater o superfluo para sermos competitivos no mercado mundial, é por aí o caminho que estamos a seguir. O importante é rodearmo-nos de bens que nos satisfazem e consolam, porque nós já perdemos a capacidade de ver dentro de nós mesmos algo que nos satisfaz e consola. O pensamento e a imaginação estão pregados num alvo, prontos para levarem um tiro, porque aquilo que faz de nós humanos nem sempre é utilitário.
Este espírito competitivo que está a ser injectado nas crianças e jovens cega-lhes uma faculdade muito importante: a de ver no outro um outro nós. O sentimento de dedicação ao outro implica que o vejamos como ser humano e não como obstáculo. Mas o mundo competitivo é assim. Se não sabes a tabuada toda de 'cor e salteado' não levas uma reguada porque isso é do tempo da 'outra senhora', mas possivelmente, se não trabalhares a tua imaginação e engenho cigano, irás ser um daqueles desgraçados que vai para o pub da esquina mamar imperiais até a noite ficar dia (com o subsidio de desemprego).
Eu entrei numa área técnica, a culpa foi minha. Mas se não fosse para uma área técnica e me dedicasse ao origami, tinha de viver com algumas moedas deitadas num chapéu. E isso nem seria mau se, de facto, admirassem a minha arte origami e não me deitassem um par de moedas no chapéu por pena (ai, coitadinha, que não deve ter curso universitário).
A capacidade de imaginar as vivências e as necessidades do outro contraria o Capitalismo. E é do Capitalismo que vivemos diariamente. Promover a qualquer custo o crescimento económico não estimula ninguém a ser melhor pessoa nem a ser-se mais feliz.
Como Martha Nussbaum* diz, e bem, "Devemos cultivar os olhares interiores dos estudantes. As artes têm um papel fundamental na escola porque enriquecem a capacidade de jogo e de empatia, de uma maneira geral".
É fácil tratar os seres humanos como objectos a manipular, quando nunca se teve a capacidade de ve-los de outra perspectiva.
Se afirmamos que queremos a democracia e também a liberdade de expressão, o respeito pela diferença e uma compreensão amplificada ao mundo todo, temos não só de ser a favor desses valores, mas também fazer a diferença no ensino e naquilo que está a ser transmitido à geração seguinte, assegurando a sobrevivência desses mesmos valores e transformando o mundo um sitio mais honesto para se viver.
*filosofa norte-americana contemporânea.
domingo, 11 de abril de 2010
clever/wise
Um amigo meu pediu-me para escrever algo sobre a seguinte frase: "A clever person solves a problem, a wise person avoids it".
Eu resolvi evitar escrever o texto.
Eu resolvi evitar escrever o texto.
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