sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Posso fazer alguma coisa para ajudar?

Não.

Há precisamente nove Agostos atrás soube que a definição de 'garantia' só se aplica à morte. Só ela está garantida. Garante-se a si mesma, mas tão pouco nos diz quando chega. Só se sabe que chega.
Dar por garantida a vida e os anos que nos aguardam é um sonho. Dar por garantida a companhia de quem gostamos até ao nosso próprio termo final é um sonho.

Há nove anos atrás também soube que aquilo que albergamos no coração é, muitas vezes, maior ainda do que pensavamos que fosse. Amor. Tão grande. 
- Vá lá, eu até prefiro nunca mais te ver, mas saber-te vivo e feliz. Vá lá, sobrevive, vive. Apenas isso.
Quero que vás para bem longe, que vás para a Austrália!, que nos zanguemos, que deixemos de falar, que se azede a nossa amizade. Não quero saber. Vá lá, sobrevive, vive. Apenas isso. Saber-te vivo e feliz... Apenas isso. 

Soube também que afinal ainda sabia rezar as Avé Marias e os Pais Nossos todos. Descobri que na situação mais extrema, de pânico e dor, qualquer ateu vira crente. Que qualquer besta vira mansa. Que tudo o que valorizamos, deixa de ter valor. E tudo o que desvalorizamos, ganha um valor imenso.

Que raio é isto? De ter de te ver desacordado, ligado a uma máquina para respirares, essa máquina que não são os teus pulmões, essa máquina que não é mais o teu coração? Onde estás? 

Soube também que o mundo desaparece. O mundo que conhecemos desaparece. Uma construção que implode. As pessoas que estão à nossa volta tornam-se invisíveis, os sons tornam-se mudos, as cores tornam-se turvas. O tempo estanca. O espaço... nem sei se existe. 
Mas que o coração que bate, tão forte, ele sim é real. E queremos arrancá-lo. 
Tê-lo-ia arrancado e tê-lo-ia dado a ti. 

Como se pode ser tão generoso, afinal? Eu ter-te-ia dado o meu coração, para que vivesses, mas depois ficava eu sem ele. Não faz sentido. Então depois eu não já não viveria mais e não poderia ver-te viver outra vez...
Mas não se pensa nisso, não há lógica nem razão no amor. É talvez a coisa mais ilógica de sempre, mas a única coisa que nos sustém.

Porém...talvez a morte não seja uma coisa triste. Somos nós que valorizamos demais a vida. Porque não conhecemos outros limites fora deste quadrado. 

Passados nove anos, saltam imagens de coisas que fizemos, aparecem conversas que tivemos e até as que não tivemos. Recrio momentos que nunca aconteceram, entre aqueles que realmente aconteceram.
Acho que ainda me lembro da tua voz, mas não tenho a certeza. Acho que sei como serias hoje, mas também não sei ao certo. Talvez tivesses mesmo ido para a Austrália e talvez nunca mais nos tivessemos falado. 
Não sei porquê desejei que fosses para a Austrália e que nunca mais nos tivessemos falado. Talvez fosse a penitência que eu estaria disposta a pagar como troca, pela tua vida de volta.

Mas gosto de pensar que continuariamos a ser tão amigos como sempre fomos, que continuaríamos a ir ao cinema à meia-noite, que conversariamos sobre livros e filmes, que falariamos sobre as tuas namoradas e sobre os meus namorados. E que, invariavelmente, me continuarias a roubar o comando da televisão e a deixar a casa-de-banho inundada após cada banho teu. E que, sim, as latas de atum eram todas tuas e mais ninguém devia tocar nelas!

Ainda sonho contigo a brincar com os meus filhos. Filhos esses que nem existem. Mas continuo a imaginar como serias como tio. Ainda continuo a imaginar-te com 50 anos e a imaginar-me a mim com 44, a conversar num alpendre, sobre as estrelas.
E então talvez ainda vivas. Porque a cada memória e a cada imagem imaginada, te tornas real.
Passados nove anos, não pesa mais a tua ausência. Acostumamo-nos a ela. Também já não pesa a memória d'aquele dia. Ele é apenas uma referência, de algo que aconteceu, mas que ficou para trás.
Passados nove anos, a única coisa que pesa é saber que a cada dia que passa, o amor se vai apagando, a emoção ficando aguada, e que o coração que eu te teria dado naquele momento... já aprendeu a viver sem ti. 

Ao meu irmão Filipe Luelmo 





   

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

And what if...

And what if...we could go back in time and change small things? Or even big ones?
My more-mature side has chosen the day I gave the car keys to my brother. Anyway, I am not going to explain the whole story. Half-word is enough. I would have changed that day, I wouldn't have given him those keys.
Second: not so serious, but serious enough, I also have to choose the day I started drinking coca-cola, getting addicted to it. I shouldn't have tried it. Because, Yeah, I am 'cocacoholic', but not very anonymous. I know how much my palate likes it, I am just not so sure about my veins and blood pressure.
And now my more primitive side... I also pick a specific day, when a particular guy, whose the name should not be pronounced, was very arrogant-obnoxious-meanfull-arsehole towards me and instead of breaking his teeth, I acted very maturely just turning my back to him. Oh dear, he was so deserving to lose them. I would love so much to go back and do it! But come here, little boy, we can still 'fix' that! You would be teeth-less but surely more wise now! So you can actually consider it as a gift!

And what if.. we could say, for one day, everything that is stuck in our throats? Without consequences...
Okay, I am going to say it now, so.. there will be consequences, right? Hope not..
My more-serious side would say to the rich people of this country - "What the fuck is wrong with you, guys? Maybe you can not provide jobs to everyone, but you could buy houses to thousands of families that are struggling to pay their fucking rents and barely have food to eat, while you just collect Ferraris in your stupid garage!".
...Well, this is serious...or is it not? I am confused now.
I would also say to this strange-awkward man that sends me cryptic messages every day trying to set a date: "Look, I don't hate you...yet... but you really annoy me. You are such a retarded. I am so sorry, it is not your fault to be a retarded, but it is your fault if you keep annoying me. You are ugly, you stink, you don't even know how to pronounce your own name without stammering. You are 40 and you sound 12. Why would I want to have a date with you? Move on".
But this is so mean that I obviously can not do it for real.
And one more thing. I really wanted to say to these people that make little jokes about me having two dogs, one very big and one very small, that "NO, I am not going to sell you my Spitz, are you fucking nuts? She belongs to the family. That would be abandoning! And what's wrong about the big one? Why don't you try to buy it, too? Because she's too big and you obviously can not handle it? Or is it because it's not so posh? Buy a brain instead!"

And what if... we could do something very radical without running risk of life?
So many things....
I absolutely would drive 200km/h down to Africa, with my two dogs, find a desert (near an oasis) and sleep there for a couple of nights. They would be unleash, they would run like crazy, so as me.
I would swim with whales. I would play with lions. I would jump from cliffs into the ocean. I would climb trees and make friendships with wild monkeys. And all this 'washed down' with red wine.
Just trying to figure out where would be my dogs in meanwhile... well, it doesn't matter... I would find them again, happily tired, because this would be a win-win situation anyway.

And what if... we could say to our friends everything that crosses our mind? Some friends do it and nothing happens, I guess... but it is very rare.
I would say how boring it is when they drag their boyfriends/girlfriends along with them when you just want one night out without those supplements!
I would say as well - "Girl, just stop combing your hair every five minutes, right now! You look like a fool superficial maniac girl. Oh, sorry, you are that...actually!...And...My bag? What's wrong with my bag? Oh, it doesn't match my shoes... that's a sad sad situation, but not as much as your poor poor brain.'
Okay, I have just lost ...errrr... 3 friends right now. UPSY!

And what if .... men could actually understand that they are equally complicated as we are?
That would be the end of the modern world.

And what if... facebook didn't exist??
Ohhhh my GOOODDD.......
Well, something special would happen, I reckon.. I lived without it many years. And I was happier back in those times.
But Chinese don't have it and...still... they are mad as hell!!!
(oh Lord, now I am in a big trouble)

And what if... ?

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Early twenties vs late twenties

Não quero que este texto seja sobre mim ou apenas sobre mim, porque sei que ele não me retrata apenas a mim, mas a todo um conjunto de pessoas.

Vamos deambular sobre as diferenças entre 'early twenties' e 'late twenties' (desculpem, mas não encontro tradução ideal para estas expressões).

Cada idade tem as suas particularidades específicas e raras serão as pessoas que escapam a elas.
Tenho no entanto de fazer o seguinte reparo: as idades são vividas de forma diferente (ou mesmo muito diferente) consoante a cultura e o país onde crescemos. Posto isto, falarei apenas da cultura Ocidental, que é a minha, porque não me sinto no direito nem na propriedade de falar de nenhuma outra.

Todos os jovens da minha idade (os que andam entre os 25 e 30 anos, mais coisa menos coisa), já terão sentido as alteração de humor e de hábitos sobre os quais escreverei, assim que começaram a entrar na fase adulta. Sim, porque eu considero que não se é realmente adulto aos 18, mas um pouco mais tarde.

No inicio da casa dos vinte (ou talvez um pouco antes) é vulgar sentirmos uma certa urgência em estar em todo o lado e a todo o momento. E ainda que isso não seja possível, fazemos os impossíveis para que se concretize. Há uma certa ansiedade no ser-se jovem.
E uma certa esquizofrenia que nos leva a personificar múltiplas personalidades e estilos consoante o momento e o grupo onde nos vemos inseridos. Queremos ir a todos os festivais, sair todos os fins de semana, beber além da conta, fumar 'aquelas cenas' menos recomendáveis, enquanto 'desperdiçamos' tempo em conversas de café que raramente nos levam a parte alguma. Mas o que conta não são os conteúdos, mas sim o estar-se 'lá' e fazer parte do estamos a viver. O sentimento de pertença, o sentimento de partilha e, acima de tudo, aquele sentimento que nos diz que quanto mais pessoas conhecermos e mais sítios frequentarmos, mais activos e produtivos somos.
A parte do activos é sem sombra de dúvidas bastante real, já a parte do produtivos é dúbia. Mas tão pouco interessa, desde que estejamos 'lá'. I love life! It is such an adventure!
Mas quando começamos a passar o quarto de século, mais rapidamente dizemos 'não' a uma saída à noite que a uma bela noite de sono.
Imagino eu que seja por ter-se esgotado o tal 'glamour' que antes víamos em ditas actividades, ou porque já sabemos que estar de ressaca é uma merda. Pior ainda é estar de ressaca e saber que as muitas conversas que tivemos na noite anterior não nos acrescentaram absolutamente nada, senão apenas mais um vírgula aqui e ali que não vai mudar em nada o resto da nossa semana.
E como sabe bem dormir e acordar com a vias respiratórias desobstruídas! Mas também só sabemos o bem que isso sabe depois de perdermos muitas noites em claro e de nos intoxicarmos múltiplas vezes. Portanto, alguma coisa essas vivências nos terão trazido de positivo. Jesus, I love to take a nap...

No início da casa dos vinte também é vulgar sermos arrebatados por paixões assolapadas por pessoas que mal conhecemos e sobra as quais não paramos de pensar durante meses. Normalmente somos arrebatados por uma simples troca de olhares, por um estilo mais arrojado, por uma deixa mais feliz ou simplesmente porque estamos na demanda de encontrar o amor da nossa vida, do príncipe ou princesa encantados e, até provado o contrário, muitos são os potenciais detentores da coroa. Oh Lord, I am so in love with him!
No final dos vintes, mais rápido vamos jantar um naco-na-pedra com a mãe, enquanto não pensamos em outra coisa senão no bem-dito naco-na-pedra que estamos a comer e que sabe maravilhosamente, que ir a um encontro com X pessoa que talvez até tenha algum interessa mais profundo em nós, mas, até prova do contrário, aquece-nos menos que o naco-na-pedra. Oh Lord, I love food!
E isto talvez se dê porque já foi quebrado algures a ilusão de que o amor romântico é perfeito e que, muitas vezes, traz mais chatices do que benefícios.

Quando somos mais jovens coleccionamos amigos e conhecidos. Os amigos são amigos porque sim, os conhecidos igualmente porque sim. E não há nada que saiba melhor que ouvir o telemóvel tocar com a chamada de um qualquer desses amigos e suas inúmeras novidades.
Mais tarde, é um prazer deixá-lo deliberadamente no silêncio porque ainda que haja agora menos probabilidade de receber chamadas, tentamos ainda mais diminuir essa probabilidade e sermos persuadidos a ir a 'tal sítio'...porque só temos vontade de dizer que não e usufruir de uma bela tarde de silêncio, entre livros e canecas de chá.

Este é o momento em que começamos a dar mais valor a momentos passados com os pais, mas também a momentos passados connosco próprios. Queremos continuar a fazer parte do mundo, a ir a festas e a concertos, a ter amigos e partilhar conversas de café, assim como beber uns copos de vez em quando, mas de uma forma mais regrada.
No entanto, continuamos a ser jovens, ainda não empandeiramos os ténis ou os saltos-altos para usufruir da pantufa full-time. Mas já não nos parece tão estranho como antes parecia estar em casa a escrever um texto em plena temporada de festivais.






sábado, 25 de maio de 2013

Bang Bang Bling Bling

Life sometimes is what you want, Life sometimes is nothing of what you wanted.
Life can be an imaginary conception of your mind or Life can be actually something very real. Life is whatever the fuck it is. And it will be, fuck.

Bang Bang on innocent and bling bling for those who manage to get it falling down the sky, undeservedly. But innocent also being happy, criminals also being punished. Life is just what it is.

Karma does not exist. Or yet, yes it does exist. God does not exist or yet, yes, He exists. Everything has space to fit in.
But why do I still write 'He' with a capital letter? Cultural manias, maybe.
The sun spins around earth, NO, earth spins around sun.
We die, or yet, we don't - never. Nothing ends, everything is transformed or yet.. yes, we die and vanish forever.

It will happen whatever the fuck will happen, but it will... fuck.

Common sense, random sense, zero sense. Yes, No, Maybe, come si comme ça, plus ou moins. Today I feel like saying Yes, tomorrow I will feel like saying No, or maybe I will say Maybe. And you will say No even willing to say Yes. Or you will say Yes even willing to say No. Or maybe you will just shut down.

Video Games, Life Games, imaginary games or vivid games. Or no games at all.
Exuberant existences or mediocre existences. You will decide either you are exuberant or mediocre, while I decide if you are right or wrong.

Right and Wrong, Good and Bad, nothing is right, everything is wrong, or yet, nothing is wrong, everything is right or just ci et ça, bla bla bla.

Bla bla bla, the better definition for what Life is - bla bla bla. Bang Bang and Bling Bling, deserving it, not deserving it, willing it or not willing it. Bla bla bla bla..

terça-feira, 21 de maio de 2013

Afinal o que é isto de escrever?

Para minha grande alegria tenho sido bastante elogiada pelo meu blog e pela minha escrita. Algumas críticas também recebo mas regra geral críticas essas a que eu chamo de 'constructivas'.

Ora pois... se eu escrevo sobre determinada coisa e a publico, é normal que algumas pessoas queiram dar a sua opinião relativamente ao tema, concordando ou até mesmo discordando com determinados pontos. Mas é para isso que tenho um blog online e não um diário secreto: é para que haja interacção. E assim vão surgindo conversas e debates acesos que eu aprecio muito.

Aprendo muito com os comentários que me deixam e com as diferentes e variadas visões sobre uma mesma coisa. Ás vezes até conseguem mudar a minha opinião sobre o que acabei de escrever, e isso é também deveras instigante.

Porque ponto número 1: ninguém é obrigado a concordar a tempo inteiro com o que eu escrevo. Isso até seria bastante aborrecido, para não dizer utópico.
Ponto número 2: as minhas visões sobre determinados temas também vão variando com o tempo. Eu não detenho em meu poder verdades absolutas, apenas interpretações. E as interpretações são voláteis.
Ponto número 3: a escrita é para mim mais que um hobby ou gosto pessoal, é uma forma de lançar na mesa temas que eu acho que poderão interessar a quem os ler e em consequência dar uma oportunidade à comunicação.

Mas há uma chamada de atenção em particular da qual já fui alvo algumas vezes e chamada de atenção essa que não consigo realmente entender.
Foi-me dito que eu exponho demasiado o meu pensamento, quase como se estivesse a expor a minha intimidade. E a palavra 'demasiado' implica algo que não está bem.
E a pergunta que me faço é:  será possível não expor os meus pensamentos em textos escritos por mim?

E aqui já não entrarei no mundo das interpretações, mas no mundo dos factos.

Se eles são escritos por mim, é óbvio que estou a expor o meu pensamento. E será óbvio que estarei a expor alguma intimidade, ainda que num patamar mais espiritual/intelectual, porque raras vezes falo sobre a minha vida pessoal embora possa ela estar implícita.
Mas se há alguma coisa que a idade nos traz de bom é alguma sensatez e alguma consciência. Nada do que eu publico é inconsciente e tudo tem um propósito.

Um escritor escreve sobre aquilo que pensa. E um escritor acaba por dar a conhecer aquilo que ele é, ainda que nas entrelinhas. Um escritor expõe o seu pensamento e a sua alma, mesmo aquele que escreve ficção ou romances estará pondo muito de si e da sua vida pessoal nessa história dita fictícia. Porque as ideias vêm do seu íntimo.
Os vários heterónimos de Fernando Pessoa são vistos como personagens fictícias criadas pelo autor, mas raramente entendidas como sendo a mesmíssima pessoa. Mas a pessoa que escrevia foi sempre a mesma. As ideias de Ricardo Reis ou de Alberto Caeiro eram as ideias de Fernando Pessoa. Ele foi sempre só um, apenas mudavam os nomes e a abordagem, mas a mente era uma e única.
E tão aclamado foi e é, ainda que expondo todos os seus pensamentos, uns mais mórbidos, outros menos. Mas foi esse o papel a que se propôs: o da escrita. Uma exposição consciente da sua alma.
E louvado seja ele e todos os escritores. Ainda que não me possa comparar a nenhum deles nem equiparar-me com tamanhos génios.

E um pintor? Que faz ele? Conta-nos histórias através da forma e da cor, mas histórias ou retratos esses que terão sempre algo de si mesmo ou não fosse ele o veículo criativo que o conduzem às suas obras.

E a pergunta mantém-se: como poderei eu não expor os meus pensamentos em textos escritos por mim?
Aquilo que eu concluí após receber a crítica acima descrita, foi que deveria parar de escrever de todo, protegendo-me assim de qualquer pensamento mais ímpio e protegendo-me a mim mesma do mundo que não pode nem deve saber aquilo que eu penso. Mas como não sou bandida nem foragida, não tenho razões para tal.

Naturalmente que terei de expor um pouco mais a minha intimidade agora. Mas sem tabus nem medos.
Se algum dia recorri a conceitos como a morte, e dando como exemplo dados factuais da minha vida pessoal e eventos que experienciei, foi totalmente consciente do que estava a fazer.
E afinal de contas, que me importa a mim (ou antes, que vos importa a vocês) que o mundo fique a saber aquilo que eu acabei de partilhar? Não me caiu nenhum dente por causa disso.

No entanto tento ter cuidado em vários aspectos nos conteúdos que publico. Um deles é o de não rebaixar ou falar mal de pessoas públicas. Já o terei feito, com toda a certeza, mas foram raras as vezes. E as críticas dirigidas a pessoas particulares nunca vêm com os seus nomes associados.
Também tento manter um discurso imparcial no que toca a temas mais sensíveis. Espero nunca ter sido racista, xenófoba, homofóbica ou outra coisa menos digna. Porque de facto não sou nada disso.

Se o problema é, afinal de contas, apenas esse mesmo: o de expor 'demasiado' os meus pensamentos... gostaria que essas pessoas me dissessem quais são os seus autores favoritos e porquê. Depois perguntarei o que sabem elas sobre esses mesmos ditos autores. E provavelmente saberão muita coisa, ou não estivessem eles na prateleira dos favoritos.

O escritor não tem como fugir à sua essência. Umas aparecerão mais encobertas com traços de fantasia e ficção, outras serão mais visíveis, mas a essência estará lá sempre. Para alguém como eu que escreve mais sobre a realidade e sobre eventos de facto ocorridos, é natural que esteja a expor mais a minha personalidade. Mas e daí? Acabo de verificar... continuo com os dentes todos.
Realmente adoraria ser romancista, mas ainda não sinto ter capacidade suficiente para criar uma história com pés e cabeça. Deixo-me por enquanto com o título de cronista. E um cronista... exporá sempre aquilo que pensa, porque se expõe aquilo que não pensa é uma falácia ele mesmo e sua obra não terá qualquer sentido.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Da Geração Rasca à geração à rasca

Os meninos e meninas nascidos nas décadas de 80 e 90 foram chamados de geração rasca.
Confesso que fui procurar pelo significado e origem desta expressão e não encontrei grande coisa. Posso portanto apenas fazer a minha interpretação pessoal e dar-lhe eu um significado.

Somos os meninos que cresceram com tudo (ou quase tudo), em famílias de 2 a 4 irmãos, porque ainda era possível ter mais que um filho ou, melhor dizendo, era normal ter-se filhos, ponto.
Somos os meninos que cresceram com bicicletas, leitores de cassetes e cd's, brinquedos playmobil, barbies, casinhas de bonecas e carrinhos telecomandados. Fomos habituados a ver as arvores de Natal a fazer sombra a mais de dez presentes para cada filho e as mesas cheias de comida.
Somos os meninos que puderam frequentar não só o ensino tradicional, mas também ter uma data de outras actividades extra-curriculares - aprender um instrumento musical, fazer um desporto, etc.
Em suma, fomos a geração mal-habituada a um fartote de coisas e como consequência somos a geração que mais expectativas criou em relação ao futuro e que agora entope os consultórios de psiquiatria e acaba com os stocks de anti-depressivos. E isto porque não sabemos como abrir mão das construções mentais que fizemos ao longo dos anos e tudo parece negro se não concretizarmos os nossos sonhos de criança.

Talvez venha daqui a expressão 'geração rasca' - os meninos das mamãs e papás que acordavam cedo para se irem refastelar no sofá a ver desenhos-animados, comendo um bando de porcarias, sem demais preocupações. E as tarefas que nos eram atribuídas eram as de arrumar o quarto, fazer os trabalhos de casa e pouco mais.
Era fácil, no entanto, entrar em espirais de crises existencialistas porque tínhamos tempo de sobra para isso, já que nenhum de nós teve de começar a trabalhar aos 8 ou 12 anos de idade e os papás a nós de um tudo providenciavam, mas quem não teve crises existencialistas na infância ou na adolescência não as terá vivido de facto. Foi-nos dada essa hipótese, pelo menos, de viver infâncias e adolescências 'normais'. Ainda que o termo 'normal' soe sempre a anormalidade, já que não deixa de ser um termo bastante abstracto e vago, susceptível a inúmeras interpretações.
Mas foi-nos dada, sim, a possibilidade de crescermos felizes e completamente absortos em fantasias.

E hoje estamos à rasca. E estamos à rasca não apenas porque não nos é garantido um trabalho, depois de tantos anos de estudo, mas por tudo o que esse detalhe comporta. Porque nos vão chacinando todos os sonhos e expectativas que foram crescendo connosco, tais como o de ter uma família, casar, ter filhos, viajar, ter casa e carro próprios.
Porque fomos mal-habituados. Porque crescemos com irmãos e sonhámos um dia ter filhos. Este era um quadro normal ao qual nos acostumámos. Porque vivemos em casas que foram sendo facilmente pagas aos bancos, porque havia emprego e os nossos pais podiam pagá-las e assim sonhámos vir a ter a nossa própria casa - este era outro quadro normal ao qual nos acostumámos. Porque vimos os adultos a trabalhar e a construir carreiras e assim sonhámos também nós vir a ter uma - porque não? Se somos a geração melhor preparada e com mais conhecimento? Claro que vamos ter empregos e carreiras e seremos independentes. Ou pelo menos assim pensávamos.
E o centro da problemática está aí mesmo, nas expectativas que criámos, mas que agora assistimos com incredulidade serem afundadas por enormes ice-bergs posicionados estratégicamente para provocar a catástrofe. Mas estratégias essas que nos passaram ao lado porque estávamos muito mais ocupados a sonhar com possíveis contos de fadas que a imaginar possíveis tragédias. Penso que o Walt Disney também terá a sua quota parte de culpa no assunto.

Mas quando digo que fomos mal-habituados, não deposito a culpa em ninguém. A realidade é que ninguém previa que o que está a acontecer agora iria acontecer. Poderiam pensá-lo, imaginá-lo, mas nunca realmente prevê-lo. Só talvez os mais visionários ou quizás os mais inteligentes e entendidos em matérias históricas, cientes de que qualquer império ou sistema acaba sempre por falhar, mais dia menos dia.

Falamos não sei quantos idiomas, dominamos não sei quantos programas informáticos, tocamos instrumentos musicais, fazemos o pino, a cambalhota, dançamos o tango. Concluindo: fomos treinados para viver. Mas conhecimento é uma mais valia, que além de não ocupar espaço, ainda nos proporciona grandes conversas de café e pézinhos de dança nas discotecas do Cais do Sodré. Mas não fomos treinados para sobreviver.

Dou-vos a metáfora do cão acostumado a dormir no sofá e a comer ração Pedigree. Esse cão tem uma vida fantástica, mas no dia em que é largado na rua não se safará como qualquer outro cão não domesticado. Não saberá onde se escondem os ratos, não saberá onde procurar água e se comer restos dos caixotes do lixo terá uma contorção no estomago que o matará, porque nunca seu estomago recebeu outra comida que não a de supermercado. Terá medo dos camiões e dos autocarros, fugirá de objectos estranhos posicionados no meio do passeio e acabará por ser atropelado por um qualquer corredor das estradas.
Nós somos os meninos educados com enciclopédias 'Círculo de Leitores' e alimentados à boca num 'aqui vai o aviãozinho', e que hoje não sabemos o que fazer quando largados no mundo real onde as oportunidades são cada vez mais escassas e ainda que as haja, não fazem o nosso perfil - "É que eu estudei tanto para isto... não consigo candidatar-me àquilo".
Mas mesmo aqueles que se candidatam até para lavar escadas, ainda que com dez certificados de habilitação no bucho, são rejeitados exactamente por causa de todos essas habilitações.
Assistimos a este paradoxo incrível de não nos serem dadas oportunidades na nossa área de estudo por não termos experiência suficiente nos nossos currículos e por não haver vagas para todos (mas se não a temos é porque esta não nos é dada) e de não nos serem dadas oportunidades em outro qualquer tipo de trabalho porque não é a nossa área de estudo. Afinal em quê que ficamos?

Aos 30 anos ainda somos demasiado jovens para sair de casa e constituir familia, porque não temos emprego. Os que agora têm 40 anos são velhos demais porque já são considerados inválidos para recomeçar seja o que for. Mas esta última já é outra geração, com seus problemas específicos que não os mencionados em cima.

E tudo me parece simples quando me dou a mim mesma a oportunidade de relaxar e pensar que ter o que comer e onde dormir já é bom demais considerando outros cantos do mundo onde explodem guerras e povos inteiros são subjugados à sub-nutrição permanente. Podemos afinal considerar-nos afortunados por termos pais que ainda nos sustentam, termos um tecto em cima da cabeça e um frigorífico parcialmente preenchido. E de ter acesso fácil à informação e de nos podermos considerar pessoas instruídas, de alma alimentada, que nos afasta de preconceitos ignóbeis, podendo assim viver num país de bandeira branca hasteada.
O grande-senão é termos sonhado com muito mais que um estomago nutrido e uma cama confortável.  'Muito-mais' esse que se transfigurou numa expectativa frustrada.
Deve doer muito ter um estomago vazio, mas qual é a medida usada para medir a dor da alma? Essa alma alimentada por Walt Disneys e sonhos de futuros promissores, com filhos, casas e carreiras nos nossos empregos de sonho?

Lá teremos de nos subjugar à realidade e finalmente aprendermos o significado da palavra 'adaptação'. E aquele que se adaptar, poderá ele auto-nomear-se como vencedor.

sábado, 13 de abril de 2013

A Uzi que há em mim

Fui inspirada pela Ana Saragoça e seu texto "A bazuca que há em mim" dirigido às redes sociais, em particular ao Facebook. Se tiverem curiosidade busquem por ele na web. É deveras engraçado.
Contudo, não quero fazer um 'copy-paste', mas sim dar, também eu, o meu parecer pessoal sobre esta complexa rede. E apontar a minha uzi, como a Ana aponta a bazuca, às coisas que mais me irritam no Facebook. (Desculpem, mas não podia escolher a bazuca, essa já é da Ana Saragoça; eu fico-me pela uzi).

Ela começa por dizer que não tem nada contra o Facebook. E eu também não.
Aliás, quem andar mais atento já deve ter percebido que me encontro online bastantes vezes.
Mas ela enumera uma série de pontos que a irritam. E em grande parte são os mesmo que me irritam a mim. Mas eu vou falar de alguns outros também e de uma forma diferente.
No entanto, sejamos claros: tanto me irrito como me regozijo. É que sem estas pequenas coisas nem teria matéria para escrever! Somos todos 'macaquinhos em jaulas' e não deixa de ser interessante observarmos-nos uns aos outros.

Eu trabalho muito a partir de casa e estar ligada ao 'mundo' através da rede é bastante confortável. Digamos que é porreiro poder mandar umas bocas a um amigo no chat; é brilhante poder falar com o meu irmão que vive no estrangeiro sem ter de gastar saldo, e é também um bom passatempo fazer scroll e ir vendo as mais frescas notícias (porque vejo pouco televisão e é no Facebook que fico a saber de quase tudo o que acontece e até mesmo aquilo que não acontece! O que é fantástico!); é bom dar umas valentes gargalhadas com determinados 'posts' (porque há quem tenha realmente muita graça) e é bom ir recebendo aqui e ali notificações sobre receitas ou sites interessantes, ler artigos de opinião, admirar obras de arte e ler citações de bons autores ou até receber uns quantos 'gostos' nalguma parrafada que eu mesma publiquei. Gosto também de ver fotos de amigos e de, às vezes, vasculhar perfis e ver com quem namora agora fulana tal ou saber onde está agora a viver sicrano, e uma data de outras coscuvilhices inofensivas (pelo menos da minha parte). Até porque se publicam, é para que seja visto, certo? Portanto também não me importo que vasculhem o meu. Tudo bem.
Não vou falar mal do Facebook enquanto plataforma, porque estaria a dar um tiro no próprio pé. Eu uso-o e bastante. E gosto.
Tudo bem.

Eu partilho da opinião da Ana, de que o Facebook é uma ferramenta útil e até lúdica, mas quando bem usada.

Sinceramente, não me chateia em absoluto que as pessoas ponham na sua informação pessoal que são casadas, solteiras, viúvas ou até que estão interessadas numa relação aberta. Até digo mais, acho 'fofinho' quando namorados usam fotos um do outro como suas próprias fotos de perfil. Ela tem a ele, ele tem a ela. A sério, acho mesmo querido! Tudo bem.
Também não me chateia em absoluto que as publicações de um amante de bicicletas sejam 90% sobre/com bicicletas. Ou que as publicações de um amante de desporto sejam 90% sobre desporto. Ou que quem tem uma paixão louca por cães e gatos passe a vida a publicar fotos dos ditos (eu sou uma dessas pessoas). Ou que aqueles que ouvem as mesmas músicas em loop acabem por publicar as mesmas músicas semana após semana. Tudo bem. A sério, tudo bem, mesmo!
Também é para o lado que durmo melhor quando alguém decide avisar a rede do que está a fazer ou a cozinhar; que partilhem sentimentos, pensamentos, opiniões... Tudo bem, é para isso que cá estamos todos.

Mas afinal quais são as coisas que me irritam no Facebook? Vou tentar não me esquecer de nenhuma.

Primeira de todas e aquela que mais azia me dá: frases atribuídas a famosos que provavelmente nunca as proferiram. E que muitas vezes são vazias de qualquer conteúdo.
Faz-me confusão: essas frases de um significado mediocre, feitas sabe-se lá por quem, que são pespegadas na fotografia de um seu suposto autor, e que pumba!, já vão na milésima partilha. É aquilo a que eu chamo de partilhinha-de-rabo-na-boca. Andas às voltas e não sai do sítio.

Há uns dias vi uma interessante com a Whitney Houston.
Claro! Morreu...! E então faz agora parte da lista de iluminados que diziam coisas magníficas. Porque quando estava viva era uma bêbeda, que por acaso tinha uma óptima voz, mas só por acaso, não é?
E a dita imagem dizia assim - "I've never dropped anyone I believed in", assinado 'Whitney Houston'. E vamos pensar que foi mesmo ela que proferiu esta frase. A verdade é que a única coisa que me veio à cabeça foi - "Well, you didn't believe in yourself much, then".

Onde está a moral da história? Não sei bem. Porque partilham isto? Também não sei bem.
Mas a frase é bonita. Pena que a primeira coisa que me tenha vindo à cabeça foi - "Mas afogaste-te numa banheira, entupida de drogas." E então que sentido faz partilharem essa citação?
Nada contra a senhora Whitney, questiono apenas a utilidade prática ou intelectual da publicação em si. A frase é bonita, mas também não me diz muito e tão pouco engrandece a suposta autora. Fico então a pensar que a pessoa que partilhou dita mensagem está a querer mostrar a alguém o que ela mesma pensa ou sente... Mas então porque usa a Whitney em vez de se usar a si mesma?

Mas esse não é o problema central. O problema é que para NÃO meu grande espanto vi mais tarde a mesma frase, só que desta vez atribuida a Marilyn Monroe.
Portanto, quem foi afinal a autora da frase? Se calhar não interessa muito quem foi, mas o engraçado é que muitos vão acreditar que foi uma delas. E o mais estranho é que ambas morreram de supostas overdoses e foi alegado, em ambos casos, suicídio. Mas, atenção, longe de mim ridicularizar as trágicas mortes das duas senhoras (que 'Deus' as tenha), apenas não me parece que sejam estas as melhores porta-vozes condutoras de frases motivadoras e sábias (ainda que a frase em questão pouco ou nada contenha de motivador ou sábio). Além de que, uma vez mais, é algo provável que não a tenham dito. Porque ora vejo a frase assinada por uma, ora passados uns dias a vejo assinada por outra... Hummm...

Daqui a nada começam a aparecer frases supostamente ditas pela Margaret Thatcher, endeusando a senhora, e esta revirar-se-à na tumba dizendo - "Bloody arseholes!", que fará bem mais o seu género.

Mas para quê falar em Whitney Houston ou Marilyn Monroe, quando temos o famoso Tupac há séculos a deambular na rede com frases como - "They got money for the war, but they can't feed the poor". Era tão boa pessoa, o miúdo, não era?
Não, não vou falar dele como compositor/interprete/rapper, porque o meu problema aqui não é o Tupac artista. E também não devia falar do Tupac enquanto pessoa, mas urge fazer uma rectificação: ele tão pouco seria 'pêra-doce' já que foi preso uma vez por alegado abuso sexual. Ah, e por falar em dinheiro e pobrezinhos, o jovem Tupac quando foi atingido encontrava-se dentro do seu humilde BMW. E sabe-se lá porque foi morto e em que tipo de coisas andaria metido.
Seja como for, quem conta um conto, acrescenta um ponto, não é assim? Se calhar não foi nada disso que aconteceu (e o rapaz tinha direito a ter um BMW, fossem lá quais fossem os seus ideais).
Mas então SE CALHAR essas frases também não são da autoria de nenhuma dessas pessoas. OU ainda que sejam, parece haver uma tendência estranhamente compassiva em relação aos mortos, porque depois de estarem mortos só damos importância ao de que bom disseram um dia, esvaziando por completo qualquer contexto.
Chiça, que irritação. Uzi nessas publicações!

Depois há umas (muitas) tiradas que me reviram igualmente o pancreas, tais como: "Ama e Amado serás, Dá e Receberás. E não julgues, mesmo aqueles que te julgarão". Porra, já estou farta destes clichés.
Vamos procurar a pólvora aqui? Eu acho que a intenção de quem partilha estas coisas só pode ser boa, mas será que esta frase faz mesmo sentido? Então se eu amar, amada serei e se der, receberei. Mas mesmo que não julgue, continuarei a correr o risco de ser julgada? Algo não está a funcionar bem aí. Esse ciclo positivismo-gera-positivismo presente nas duas primeiras afirmações é completamente chacinado pela última.
Humm...Caput. O meu cérebro deu um nó. Ou será que o Karma é realmente uma coisa deveras caprichosa?
Amigos, não, não faz sentido. E tendo em conta apenas as duas primeiras afirmações, não me parece que as coisas sejam assim tão lineares. Basta olhar os chocantes números de mulheres vítimas de violência doméstica por parte dos seus amados maridos. Elas amam, eles batem. Ou às vezes também se dá o contrário, eles amam e elas batem.
Anyway, se o karma existe, é um gajo com um 'delay' danado. Vamos pensar que o Aristides de Sousa Mendes está agora no céu a receber as melhores das regalias, porque enquanto vivo e capaz ajudou milhares de judeus a escapar a uma morte certa e cruel, mas mais tarde envelheceu e morreu na mais ignóbil das misérias. Uzi?

Adiante.... Eu posso realmente ter um péssimo feitio, mas também me irrita ver publicações de carácter motivador, mas que só nos fazem sentir ainda pior, como a que se segue - "Quem quer fazer algo arranja um meio, quem não quer arranja uma desculpa!".
Alto e pára o baile! Se não quero fazer seja o que for, é porque não quero e pronto. E para isso nem é preciso dar desculpas. É?
Mas se até queremos, por exemplo, perder 10 kgs...sim, é bom que nos esforcemos e nos foquemos, mas também é óbvio que nem sempre estamos com disposição para ir correr debaixo de chuva ou comer talos de couve e, sim, vão haver momentos em que temos de começar tudo de novo e, sim, vamos arranjando umas desculpas ou justificações, porque nem sempre estamos motivados! Mas ficamos a sentir-nos péssimos porque afinal somos é uns mandriões e arranjamos desculpas. E no final, não fazemos é nada. Mas enfim, isto é até do que menos me enerva.

Seguinte: E os pôr-do-sol e céus estrelados? E os Arco-iris? E melhor ainda, aquelas montagens que gritam "eu sou uma montagem!", mas que o pessoal partilha a achar que descobriu um paraíso na terra?
Eu acho tudo muito bonito, inclusive as montagens!! A sério que sim! Quem não gosta de um pôr-do-sol?
Mas o problema está nas afirmações associadas em rodapé como "O mundo é lindo!", apesar de se tratar de uma montagem, ou "Plutão está em entrar na casa de Aquário, Iupi!", com uma setinha a mostrar onde está Plutão e onde está a constelação de Aquário. Ou...whatevá!, porque percebo muito pouco de astrologia.
Epa, mas sim, interesso-me algo por signos e astros, acho que é um tema interessante e acho, inclusive, que há fundamentos razoáveis para continuarmos a estudá-los. Se a lua influencia as marés, é bem possível que nos influencie a nós também. Mas daí a achar que o raio de um calhau chamado Plutão, a anos luz daqui, vai mudar a minha vida ou o meu estado de espírito...ou que encerra em si todo um destino... é demais! É demasiado fatalista para meu gosto! 'Tá de sacanagem, né?
E aquelas publicações - "Aquário: Tens nas tuas mãos o dom da mudança e a visão do futuro!" - Ao que só me apetece responder - A sério? Então porquê que continuo a viver às custas da minha mãe com quase 30 anos de idade e não estou sequer, de momento, a vislumbrar futuro algum? E porquê que o Cristiano Ronaldo, que nasceu exactamente no mesmo dia que eu, é um craque da bola e eu sou péssima com uma bola nos pés?
E se por acaso faço esse tipo de comentário, logo levo com uma daquelas respostas paternalistas - "Oh minha linda, um dia hás-de entender, a verdade virá ao de cima. Tem paciência! Eu já lá estou!" - Já lá estás? Onde? Na verdade absoluta? Ou 'tás aqui e tás a levar uma sapatada?
É, há muito pessoal por aí em vias de Messias...
Nem mais comentários. Uzzzziiiiiiii!

Passando à frente.... Outra coisa que é muito banal nos dias que hoje correm nas redes sociais: publicações sobre política e economia. Sim, claro que se fala de política e de economia e deve-se falar sobre política e economia. Sim, estamos a viver uma crise sem precedentes e temos de nos armar em galifões e abrir as goelas. Mas cuidado, estimados, porque nem tudo o que anda na web é verdade.
Fico de boca-aberta com as repetidas publicações sobre os salários terrivelmente baixos em Portugal e como em todos os outros países o pessoal ganha o dobro ou o triplo.
Calma, estimados... Eu vivi em Espanha e por lá a coisa não era melhor que aqui. Mas também vivi em Inglaterra e posso garantir-vos que SE o ordenado mínimo no Reino Unido é de 1300 libras (como li algures), em nenhum dos trabalhos por onde passei ganhei sequer a metade disso. E estava inscrita nas finanças e tinha actividade aberta, e portanto as coisas estariam a ser feitas, supostamente, legalmente. Mas nunca jamais vi o tal do ordenado mínimo ser-me justamente posto na mão. Portanto, ainda que esses valores fossem os que a lei dita, nem sempre nos chegam aos bolsos, nem aqui nem noutro lado qualquer.
E temo dizer-vos que em 2011, que foi o ano que em Londres vivi, o ordenado mínimo andava à volta das 700 libras e não das 1300. E sim, é mais do que aqui! Mas tendo em conta que pagava uma renda de 600 libras e o passe do metro (para duas zonas apenas) era a módica quantia de 130 libras...façam as contas e imaginem só de onde vinha o dinheiro para comer (ai, rica mãezinha...). Uzi nessas tretas todas também.

E por falar em política, não consigo evitar falar no Miguel Gonçalves (se não sabem quem é, pesquisem). O tal do Miguel Gonçalves inebriou muita gente com os seus discursos apaixonados e cheios de motivação e foram muitos os que o aplaudiram. Mas agora que faz parte (ou fazia, já nem sei de nada) do Governo, é só ver publicações a achincalhar o jovem empreendedor.
Estimados, decidam-se: ou gostam, ou não gostam ou calem-se. Antes era um jovem super-star, cheio de carisma e honestidade, agora é um oportunista reles e mentiroso. É quase como se eu atravessasse uma estrada e de repente me tornasse noutra pessoa: do lado direito sou muita fixe, mas do outro lado já não fico tão bem.
Eu nem sei se tenho opinião sobre ele... só vos peço uma coisa: Decidam-se.
Quanto aos que já tinham uma opinião formada desde o início e continuam a pensar o mesmo, têm todo o meu respeito.
Mas por muitas pedras que haja para atirar ao Gonçalves, ao Relvas, ao Passos Coelho, ao Sócrates e a tantos outros, calma... estimados, já cansa ver tanta folia à volta das mesmas pessoas. Não que eles sejam uns anjinhos. É claro que andam a ultrapassar os limites, e eu sou tão lesada como qualquer um de vós, mas a pergunta que muitas vezes me faço é a seguinte: E vocês? Fariam melhor? E eu? Faria melhor?
Há, por acaso, um cliché do qual gosto bastante ainda que possa ser discutível como qualquer outro: a mudança começa em cada um de nós.
É que algumas das pessoas que vão para as manifestações gritar pelos seus direitos e se sentem mega insultadas pela precariedade e pela falta de escrúpulos de alguns, são as maiores sacanas que existem à face da terra no seu dia-a-dia. Eu conheço algumas. Não muitas, mas as suficientes.

Outra coisa que me tira do sério: pessoas que publicam coisas como - "Posso ter muitos defeitos, mas pelo menos não sou invejosa, intriguista nem falsa e não falo mal de ninguém como certas pessoas!".
Vamos à procura da pólvora outra vez? A menina diz que não é invejosa, nem intriguista, nem falsa e não fala mal de ninguém, mas está a atribuir todos estes defeitos às tais 'certas pessoas'.
Olha, querida, pode ficar de fora o 'invejosa' e até o 'falsa', mas acabas de fazer uma intriga e acabas de falar mal de outras pessoas, ainda que não digas os nomes. Ah, e se não dizes os nomes (porque de certeza que essa publicação é para alguém em específico), talvez tenhas também um tiquinho de falsidade. Não? Ou chamar-se-à apenas estupidez? Upsy!
Mais comicó-trágico é quando alguém publica algo como - "Tente não queixar-se de nada durante pelo menos 24 horas. Vai ver como se sente melhor!". E passados cinco minutos a mesma pessoa publica qualquer coisa como - "ai, como eu odeio que não me respondam a mensagens! Que nervos!".
Oba... temos um caso interessante de bipolaridade em 'mãos'!

Por último: mas que grande seca ter de levar com aquelas cenas - "Já sei que a maioria das pessoas não vai partilhar, mas ainda assim faço um apelo (...) por todos aqueles que morreram de cancro (...)"
Então...? Mas achas que é assim que consegues partilhas? A partir logo do princípio que já sabes que ninguém quer saber e que somos todos uns grunhos e uns brutos? Ai, assim é que não partilho mesmo...
Mas sem querer ofender ninguém, para quê partilhar velinhas, anjinhos ou lacinhos em nome de todos os que morreram de cancro? Acreditem, eu já senti na pele a perda de alguém que amava para essa mal-dita doença. Mas de que me vale a mim ou de que vos vale a vocês passar velinhas, anijinhos ou lacinhos virtuais? Já foi, já foi, já está, não voltam. Mas talvez o mal esteja só no começo, quando dizem - "Já sei que a maioria não vai partilhar...", é que entornam logo o caldo.

De resto, não me chateia que publiquem fotos em biquini (desde que saibam o que andam a fazer), nem que publiquem fotos Instagram da refeição espectacular que estão a saborear numa qualquer ilha paradisíaca. Essas coisas até dão colorido à rede. Tudo bem. Muito menos que se façam declarações de amor aos namorados(as), mães, pais, irmãos, cães... Tudo faz sentido, quando tem realmente sentido.
Evitemos apenas aquilo que não faz sentido algum. Vale? Senão... Uzi.

E mais coisas deverão existir, mas o texto já vai longo. E por acaso há outra coisa que me chateia um bocado: textos longos. É que não há paciência! Mas vá, não sejam mandriões como eu e não arranjem desculpas! ahahaha

P.S. Não foram revelados os nomes dos publicadores das 'tonterias' descritas por uma questão de respeito e sigilo, embora eles 'andem' aí. Mas também porque amanhã me vou arrepender de tudo o que escrevi e assim a culpa será menor.