Aqui não se seguem regras (à parte do respeito pela ortografia e pelos retratados nos demais desvarios). Publico textos sem ordem em especial assim como tão pouco existe um formato de registo: tanto posso manter uma linguagem 'erudita' como saltar para a completa 'parvoíce'. Dou o meu melhor, e não o melhor que há, porque, de facto, não estou à espera do troféu do Blog-do-Ano, mas pretendo, sim, exclamar a minha individualidade porque a comunicação é o primeiro passo para a evolução.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
O texto mais lamechas de sempre
Hoje apeteceu-me escrever algo mais lamechas. Mas tenho a nítida sensação que vou acabar por desconstruir a 'lamechice', não fugindo à minha natureza sarcástica e petulante que a tantos irrita, portanto não desistam já à segunda linha (dou-me conta que já comecei a fazê-lo sem realmente querê-lo, mas eu dou-lhe no freestyle).
Será que vou estar a repetir-me? Se calhar sim. Mas acho mesmo que nunca escrevi sobre isto - paixões!
Se é um déjà-vu... deixá-lo ser!
Ora bem, paixões... e o que nos leva a elas...
Adoraria ser um Oscar Wilde (tirando a parte da cirrose) e ser tão brutalmente realista e sábia como ele quando descrevia as suas personagens e explicava o que elas sentiam e porque sentiam o que sentiam. Mas não sou o Oscar Wilde. Não sou esse gajo, sou a Ana Luelmo.
A primeira pergunta que faço é a seguinte - Porquê que nos apaixonamos?
Os mais clínicos e frios dirão que nos apaixonamos quando estamos descentrados, talvez até deprimidos e, como consequência, sentimos a necessidade, ainda que inconsciente, de buscar alegria e excitação no outro. A nossa vida é miserável, sentimo-nos vazios e incompletos, a nossa auto-estima está feita em frang'alhos e é então com uma paixão que reanimamos o sentido das nossas vidas. E pensam eles que nós (os outros) gostamos de pensar que tanta chatice afinal até teve uma razão de ser - foi para melhor saborear aquele momento! Ou não saberiamos distinguir o doce, sem termos conhecido o amargo!
Mas eles continuarão a insistir que estás deprimido. Que não estás apaixonado, estás é doente. No entanto são normalmente tipos de poucos sorrisos e chateados com a vida. Mas recusam-se a procurar a solução numa relação, pois isso não é de gente inteligente!
- Sim, eu já sei porque nasci e porque estive este tempo todo sozinha/o e largada/o à bicharada, era porque estava à espera do amor da minha vida! - que regra geral acaba à chapada, mas não deixa de ser o amor da nossa vida, pelo menos por uns tempos. E aí vêm os bastardos dos clínicos e frios e dizem:
- Eu estou a avisar-te. Estás a tentar resolver a tua miséria com fita-cola e isso vai dar merda. Olha, eu estou tão bem assim, sem ninguém para me chatear o juízo - dizem sem mostrar qualquer tipo de emoção.
Os mais românticos acreditam em.... romance. E posto isto é vulgar dizerem que nos apaixonamos porque não há realmente sentido algum na vida sem que aconteçam eventos como esse. Roçam o enjoativo e são fãs incondicionais da Disney. E ainda que, uma vez mais, acabe tudo à chapada, continuam a insistir que tudo teve um propósito e que ele ou ela vão acabar por voltar. E se não voltam, estarão a desistir da única oportunidade na vida que terão de viver um grande amor 'forever and ever'.
- Vê-se nitidamente que foram feitos um para o outro. Dão-se tão bem. Que bonito! Que romântico! Isso nunca vai acabar!
Ups, acabou.
- Mas ele/ela está confuso/a, vai voltar, tenho a certeza. Algo tão bonito não pode acabar!
O problema destes tipos é que acabam por resumir a tua vida a uma única pessoa e arrasam com qualquer hipótese de encontrarmos alguém novo. Tens de ficar por ali mesmo, senão vais ficar sozinho para sempre. E quando arranjas alguém novo, ficam super contentes, ou não adorariam eles um bom romance, mas volta e meia tocam no nome do 'falecido', só para que não te esqueças de onde vieste.
O pessoal do karma e do destino avisa-nos que qualquer pessoa que passe pelas nossa vidas tem o propósito de nos ensinar algo novo e de nos transmitir uma mensagem. Uns vieram para suprir uma necessidade, outros apareceram para conhecermos melhor a nós mesmos e outros para nos dar lições de vida que ficarão connosco para o resto das mesmas. E que (esta confesso que me 'enerva os nervos'), normalmente nada dura para sempre num sentido prático, mas que, de um ponto de vista espiritual, tudo dura para sempre visto que as as necessidades a suprir foram satisfeitas, as referências deixadas e as lições de vida bem entregues.
Onde está o elefante aqui? O elefante é bem visível. É que normalmente as necessidades não foram totalmente supridas, já que se és romântico ou estás é deprimido, vais querer ficar com aquele pessoa para sempre. E não só não te conheceste melhor, como estás ainda mais confuso, porque acabas de vender a alma ao diabo. Aqui é o meu lado mais clínico a falar.
Depois há os que dizem que é tudo obra do acaso. Que não só o mundo e a humanidade surgiram de um peido espacial, mas como toda e qualquer coisa que aconteça nas nossas vidas acontece de forma aleatória. Se te enrolaste com determinada pessoa foi porque naquele momento te apeteceu e por acaso foste correspondido, mas ninguém escreveu qualquer linha num qualquer livro sagrado sobre tal situação. Resumem tudo a uma total insignificância, retirando qualquer brilho à existência humana e ao acontecimento 'amor'. E o mais provável é que acabes sozinho atirado num lar da terceira idade, porque amor é uma invenção humana que perseguimos enquanto somos jovens e estúpidos e não entendemos ainda que andamos a perder tempo a querer ser mais que um simples peido espacial.
Os tipos da teoria da incerteza são, claro está, aqueles que não conseguem escolher apenas uma hipótese e andam às cabeçadas na parede. E entre cada cabeçada, ora escolhem uma, ora escolhem outra. Até que finalmente voltam a resumir-se à eterna incerteza. Eu estou nesta lista.
Segunda pergunta - Porque nos apaixonamos por determinadas pessoas, mais certas ou menos certas, e por outras não?
Isto acontece de facto. Andamos à procura de um certo estereótipo e acabamos encantados com o seu oposto. Ou então encontramos o tal estereótipo e vivemos uma cena altamente, mas mais tarde, finda a história com o primeiro, não conseguimos sentir o mesmo com outra pessoa até sobejamente semelhante à última.
- Mas têm tantas coisas em comum, porque não consigo amar da mesma forma?
Os clínicos - Porque não consegues fazer uma simples transferência de sentimentos de uma pessoa para outra. Mas chamamos a isso vulgarmente de obsessão. Estás doente, vai-te tratar.
Os românticos - Porque aquela pessoa é o amor da tua vida! Ninguém poderá substituí-la!
Os karmicos - Obviamente porque agora tens de passar a uma fase seguinte, aceita que não amarás esta pessoa da mesma forma que amaste a outra, mas se ela está na tua vida é porque tem algo a acrescentar-te. Let it flow, sister! (corações)
Os do acaso - Whatever...
Os da incerteza - Não sei!! Arggghhh!!! Serão as feromonas que são compatíveis com uns e com outros não? Eu voto nas feromonas!
E como eu me incluo nos gajos da teoria da incerteza, eu também voto nas feromonas. E porque votam os gajos da incerteza nas feromonas se eles não têm a certeza de nada? Exactamente porque não sabem nada sobre feromonas e daí a soar-lhes bastante lógico. Quanto menos souberem sobre o assunto, mais margem têm para se sentirem finalmente com alguma certeza, o que é uma lufada de ar fresco.
Mas qualquer uma das teorias acima descritas pode também explicar os casos em que nos apaixonamos por pessoas completamente inesperadas, aquelas que riscam quase todos os items que tínhamos previamente escrito na lista "A pessoa ideal".
Ou porque estamos desesperados e como a pessoa ideal não aparece, caimos de amores pelo tal inesperado ser; Ou porque o romance é vital e insistimos em apaixonarmo-nos só porque a pessoa tem um andar engraçado que a torna incrivelmente especial; Ou porque fomos destinados a cruzarmo-nos com esta pessoa e sentir o que sentimos porque temos algo a aprender com ela; Ou porque WHATEVER, acontece porque sim e 'tou-me nas tintas; Ou porque 'Não sei, mas a cena das feromonas tem algo que se lhe diga!'.
Em todo o caso, seja demência, seja destino, sejam as feromónas...creio que (quase) todos concordamos que é óptimo estar apaixonado.
P.S. Isto não é uma subtil declaração de amor para alguém. Isto são apenas explosões de ideias. Até porque se isto fosse uma declaração de amor, estava bem amanhada, já que poucas gotas de romance escorrem entre estas linhas.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Empreendedorismo! Porque gosto de palavras difíceis!
Tendo lido há poucas horas um texto sobre o empreendedorismo em Portugal, ou melhor, o empreendedorismo-metido-a-pés-juntos-que-vai-direito-à-barra (de Luhuna Carvalho, em 5dias.wordpress.com), fiquei com aquela coceira desgraçada de dar também eu a minha opinião (cá está um pleonasmo aceitável, Dalila...!). Mas não sobre o texto de Luhuna, que vale a pena ler, mas sobre o tal do 'empreendedorismo'.
A sensação que eu tenho, e não é recente, é de que nos tentam impingir a ideia de que temos de apresentar um producto, a qualquer custo, que seja vendível e dê lucro. Porque os nossos reizinhos (com letra bem pequena) deram agora numa de nos dar lições de moral, com rápidas passagens nos capítulos de marketing 'as known as' sobrevivência, já que não pretendem largar os seus ossos de valor incalculável nem criar novos postos de trabalho.
E quase nos fazem acreditar que em pouco tempo somos lançados nas luzes da ribalta, como jovens ambiciosos e criativos, sob os holofotes dos nossos 5 minutos de fama, dando o exemplo a todos os outros milhares de criaturas que não tiveram ideias tão 'brilhantes'. Que coisa mais egóica.
Mas a questão está no que realmente é brilhante ou não. Como refere Luhuna e bem, se o producto se baseia em rolos de papel higiénico coloridos (não vale a pena mencionar a marca), onde está realmente o brilhantismo da coisa? Naturalmente que já criámos muitas coisas úteis e até diria brilhantes, mas de há uns tempos para cá, na euforia de mostrar serviço, têm aparecido, com a mesma velocidade que desaparecem, negócios ou produtos que nem ao menino Jesus interessa.
Estive a pensar seriamente se devia referir ou não aquele producto criado por quem-já-nem-do-nome-me-lembro, apresentado em horário nobre e com o aval de Cavaco Silva (algo que misturava nutella com compota: "basta apenas carregar num botão"). Mas já que não me lembro nem do nome da moça nem do nome da engenhoca, tanto me faz.
A verdade é que me pareceu ser mais um objecto obsoleto, não querendo desfazer o talento criativo dos seus autores, que não introduz nada de realmente inovador no mercado. Ou se é inovador, pouco me anima. Pelo menos não me vieram as lágrimas aos olhos, nem me deu uma nova e resfrescante visão da vida. Porque me animaria a mim um objecto que juntando dois ingredientes e que pressionando o dito botão me dê em porções iguais os ditos..e voilá! tenho uma torrada com Nutella e compota....? Isso para mim tem outro nome: inércia! ---> Não querer pegar na porra da Nutella e na porra da compota e não querer sujar duas faquinhas que barrarão a porra da torrada. E consequentemente, não querer lavar a porra das faquinhas.
Claro que a cada novo producto inventado, mais postos de trabalho surgem... Mas até quando? Porque não me parece que o spread-it (lembrei-me do nome!) vá fazer grande sucesso.
Okay, a vida não vai realmente mudar muito com esse objecto, só a a tornará um pouco mais inútil. Mais ainda.
Mas a culpa não é dos jovens criadores (ou talvez seja um pouquinho... espera lá, que sois já todos bem adultos!), mas dos que tentam, sem prévias e razoáveis instrucções, lançar-nos no 'empreendedorismo'.
- Vá, faz qualquer coisa.... Mesmo que tenha pouca utilidade. O que interessa é que venda! Porque eu cá já tenho a minha galinha dos ovos-d'oiro.
Hoje, em conversa com a minha mãe, após ver uma reportagem sobre jovens empreendedores portugueses que, atirem-se foguetes ao céu e joguem-se vocês mesmos ao chão, conseguiram integrar a equipa da 'Jimmy Choo Shoes' graças à sua criatividade e audácia (só no final referiram que se tratou de um estágio e sabe Deus onde pára agora a tal equipa brilhante de jovens criativos) :
- Devias fazer coisas assim! E estarias hoje a trabalhar também na 'Jimmy shoes' ou algo semelhante...
- Mãe... mas eu não vejo inovação em fazer sapatos, por muito belos designs que ostentem, se continuarem a usar materiais pouco amigos dos ambiente. Se eu criar algo terá de ser ambientalmente sustentável. Se não for, prefiro ficar quieta.
- Mas porquê?
- Porque não quero, pague o preço que pagar, contribuir para a acumulação de objectos/resíduos no planeta. Mas que os sapatos são bonitos, isso são...
- Então faz algo ambientalmente sustentável!
- Sim... Mas dá-me tempo. Sou um génio da lâmpada apagada, por enquanto.
Porque integrar uma equipa de uma marca supra-conhecida é mega empreendedor? Não... é só uma escalada social que, ainda não sendo fácil e parabéns aos que lá chegaram, pouco me diz. Porque sapatos há muitos, seu palerma!
E nisto chegamos ao ponto fulcral da mensagem. Se queremos fazer carreira e ganhar um bom dinheiro para pagar a renda e a Internet mais-rápida-que-a-própria-luz, okay, atirem-se na criação de 'trancaria' que o público certamente comprará.
Mas se o que queremos não é apenas ganhar um bom dinheiro para pagar as contas, mas sim contribuir com algo realmente positivo, comam com a austeridade porque ela não vos avalia os valores e éticas e continuaremos a ser explorados e espezinhados em call-centers e afins, sob a chefia de imbecis que nem escrever sabem... Mas no dia em que vos sair uma ideia visionária que não só vos trará dinheiro, mas também reconhecimento merecido, então aí terão um lugar nas enciclopédias. Ou melhor ainda, realização pessoal!
Fico pouco emocionada com a projecção mediática de jovens que, coitados, tiveram que criar alguma coisa mais-ou-menos interessante para que eles mesmos pudessem não apenas comprar a Nutella, mas inclusivé o pão para fazer as torradas. Fico, sim, impressionada com a falta de um alinhamento inteligente e visionário (e não me imaginem em grupos 'shanti-shanti' em adoração ao astro sol, ainda que mal nenhum veja nisso: não misturemos religiões com factos há muito por assimilar....e um deles é a sustentabilidade), que nos ensine não só a empreender para ganhar dinheiro, mas que igualmente nos ensine a empreender no caminho certo.
E não falo apenas da sustentabilidade natural de um planeta já demasiado carregado de esterco, mas também da sustentabilidade e estabilidade dos próprios empreendimentos que, ainda que sejam bons, não têm mercado que os mantenha vivos. Essa parte está também a escapar. Porque nos incentivam tanto a abrir negócios se a população não pode investir neles? Quem é que vai comprar o Spread-it (valha-nos a Santa Sé, que nome...) se nem dinheiro há para mandar cantar o cego?
Cortem lá o que quiserem. Cortem lá as pensões de viuvez, cortem lá os subsídios de invalidez. Mas não tentem cortar a inteligência da minha geração. Já que não cortam os próprios pulsos.
A sensação que eu tenho, e não é recente, é de que nos tentam impingir a ideia de que temos de apresentar um producto, a qualquer custo, que seja vendível e dê lucro. Porque os nossos reizinhos (com letra bem pequena) deram agora numa de nos dar lições de moral, com rápidas passagens nos capítulos de marketing 'as known as' sobrevivência, já que não pretendem largar os seus ossos de valor incalculável nem criar novos postos de trabalho.
E quase nos fazem acreditar que em pouco tempo somos lançados nas luzes da ribalta, como jovens ambiciosos e criativos, sob os holofotes dos nossos 5 minutos de fama, dando o exemplo a todos os outros milhares de criaturas que não tiveram ideias tão 'brilhantes'. Que coisa mais egóica.
Mas a questão está no que realmente é brilhante ou não. Como refere Luhuna e bem, se o producto se baseia em rolos de papel higiénico coloridos (não vale a pena mencionar a marca), onde está realmente o brilhantismo da coisa? Naturalmente que já criámos muitas coisas úteis e até diria brilhantes, mas de há uns tempos para cá, na euforia de mostrar serviço, têm aparecido, com a mesma velocidade que desaparecem, negócios ou produtos que nem ao menino Jesus interessa.
Estive a pensar seriamente se devia referir ou não aquele producto criado por quem-já-nem-do-nome-me-lembro, apresentado em horário nobre e com o aval de Cavaco Silva (algo que misturava nutella com compota: "basta apenas carregar num botão"). Mas já que não me lembro nem do nome da moça nem do nome da engenhoca, tanto me faz.
A verdade é que me pareceu ser mais um objecto obsoleto, não querendo desfazer o talento criativo dos seus autores, que não introduz nada de realmente inovador no mercado. Ou se é inovador, pouco me anima. Pelo menos não me vieram as lágrimas aos olhos, nem me deu uma nova e resfrescante visão da vida. Porque me animaria a mim um objecto que juntando dois ingredientes e que pressionando o dito botão me dê em porções iguais os ditos..e voilá! tenho uma torrada com Nutella e compota....? Isso para mim tem outro nome: inércia! ---> Não querer pegar na porra da Nutella e na porra da compota e não querer sujar duas faquinhas que barrarão a porra da torrada. E consequentemente, não querer lavar a porra das faquinhas.
Claro que a cada novo producto inventado, mais postos de trabalho surgem... Mas até quando? Porque não me parece que o spread-it (lembrei-me do nome!) vá fazer grande sucesso.
Okay, a vida não vai realmente mudar muito com esse objecto, só a a tornará um pouco mais inútil. Mais ainda.
Mas a culpa não é dos jovens criadores (ou talvez seja um pouquinho... espera lá, que sois já todos bem adultos!), mas dos que tentam, sem prévias e razoáveis instrucções, lançar-nos no 'empreendedorismo'.
- Vá, faz qualquer coisa.... Mesmo que tenha pouca utilidade. O que interessa é que venda! Porque eu cá já tenho a minha galinha dos ovos-d'oiro.
Hoje, em conversa com a minha mãe, após ver uma reportagem sobre jovens empreendedores portugueses que, atirem-se foguetes ao céu e joguem-se vocês mesmos ao chão, conseguiram integrar a equipa da 'Jimmy Choo Shoes' graças à sua criatividade e audácia (só no final referiram que se tratou de um estágio e sabe Deus onde pára agora a tal equipa brilhante de jovens criativos) :
- Devias fazer coisas assim! E estarias hoje a trabalhar também na 'Jimmy shoes' ou algo semelhante...
- Mãe... mas eu não vejo inovação em fazer sapatos, por muito belos designs que ostentem, se continuarem a usar materiais pouco amigos dos ambiente. Se eu criar algo terá de ser ambientalmente sustentável. Se não for, prefiro ficar quieta.
- Mas porquê?
- Porque não quero, pague o preço que pagar, contribuir para a acumulação de objectos/resíduos no planeta. Mas que os sapatos são bonitos, isso são...
- Então faz algo ambientalmente sustentável!
- Sim... Mas dá-me tempo. Sou um génio da lâmpada apagada, por enquanto.
Porque integrar uma equipa de uma marca supra-conhecida é mega empreendedor? Não... é só uma escalada social que, ainda não sendo fácil e parabéns aos que lá chegaram, pouco me diz. Porque sapatos há muitos, seu palerma!
E nisto chegamos ao ponto fulcral da mensagem. Se queremos fazer carreira e ganhar um bom dinheiro para pagar a renda e a Internet mais-rápida-que-a-própria-luz, okay, atirem-se na criação de 'trancaria' que o público certamente comprará.
Mas se o que queremos não é apenas ganhar um bom dinheiro para pagar as contas, mas sim contribuir com algo realmente positivo, comam com a austeridade porque ela não vos avalia os valores e éticas e continuaremos a ser explorados e espezinhados em call-centers e afins, sob a chefia de imbecis que nem escrever sabem... Mas no dia em que vos sair uma ideia visionária que não só vos trará dinheiro, mas também reconhecimento merecido, então aí terão um lugar nas enciclopédias. Ou melhor ainda, realização pessoal!
Fico pouco emocionada com a projecção mediática de jovens que, coitados, tiveram que criar alguma coisa mais-ou-menos interessante para que eles mesmos pudessem não apenas comprar a Nutella, mas inclusivé o pão para fazer as torradas. Fico, sim, impressionada com a falta de um alinhamento inteligente e visionário (e não me imaginem em grupos 'shanti-shanti' em adoração ao astro sol, ainda que mal nenhum veja nisso: não misturemos religiões com factos há muito por assimilar....e um deles é a sustentabilidade), que nos ensine não só a empreender para ganhar dinheiro, mas que igualmente nos ensine a empreender no caminho certo.
E não falo apenas da sustentabilidade natural de um planeta já demasiado carregado de esterco, mas também da sustentabilidade e estabilidade dos próprios empreendimentos que, ainda que sejam bons, não têm mercado que os mantenha vivos. Essa parte está também a escapar. Porque nos incentivam tanto a abrir negócios se a população não pode investir neles? Quem é que vai comprar o Spread-it (valha-nos a Santa Sé, que nome...) se nem dinheiro há para mandar cantar o cego?
Cortem lá o que quiserem. Cortem lá as pensões de viuvez, cortem lá os subsídios de invalidez. Mas não tentem cortar a inteligência da minha geração. Já que não cortam os próprios pulsos.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Aos meus pacientes votantes!
Senti necessidade de fazer uma pequena declaração. E esta declaração tem vários objectivos.
E como tenho como virtude/defeito a franqueza, clara serei.
Primeiro, com o objectivo de agradecer a quem votou e vota diariamente (refiro-me até àqueles que não gostaram do video, mas ainda assim -'Pimbas, toma lá outro voto'), e com o objectivo de fazer chegar àqueles que mal ou nada me conhecem as razões que me levaram a enfrentar uma camara e fazer o video que fiz.
Sim, é que eu estou habituada a estar atrás das camaras, sou muito boa com botõezinhos, máquinas e softwares, mas péssima no spotlight! Nunca sonhei estrelar nos Morangos com Açucar. Mas gosto, sim, de fazer bonequinhos em After Effects... escrever lençóis de textos... e viajar.
A verdade é que desde que terminei os meus estudos (em 2010) que tenho tido trabalhecos (nhecos nhecos) de pouca duração e que muito pouco têm a ver com a minha vocação. Posto isto, qualquer licenciatura ou mestrado de pouco me têm valido. OU de nada me têm valido.
Não tenho emprego. Ou pelo menos um que seja pago! Porque se considerarmos mandar 100 curriculos por dia um emprego... então eu estou em pleno full-time com várias horas extras, mas não remunerado! Mas também podemos considerar o estar em casa da mãe e ter comida na mesa "à borla" como uma remuneração. Também é válido. Obrigada, mãe!
- Mas porque foi a miuda por-se a competir nesta coisa?
- Ah, porque é uma chavala mega nice, super easygoing, que gosta imenso de viajar e não tem mais nada que fazer...
- Oh, porque gosta de aparecer... na verdade quer é entrar nas novelas da TVI.
-Porque é mega cool participar nestas cenas e pedir likes aos amigos...
NÃO!
A resposta é simples..
Eu já apanhei morangos, eu já servi às mesas, eu até já limpei casas-de-banho. E sem preconceitos 'bestas' porque por acaso gostei de trabalhar no campo, por acaso até gostei de servir às mesas e.... limpar casas de banho....bah... já o faço em minha casa há muitos anos. Alguém tem de o fazer. Mas neste momento não tenho nem morangos a apanhar nem casas-de-banho a limpar... E muito menos ouso sonhar com um emprego na minha área (é quase uma blasfémia..)
E o que faz uma miuda de 27 anos em casa a olhar pela janela senão perguntar-se:
-O que vou fazer amanhã?
- Nada. Enviar Cvs, beber uns quantos cafés enquanto tento impingir o meu video a mais uns quantos desgraçados... e esperar pelo dia seguinte.
Será (talvez) uma tortura para vocês, mas mais torturante o é para mim.
E para finalizar... o último objectivo deste texto é mesmo... conseguir mais votos. Para me pôr a andar d'aqui pra fora, para fazer algo util com a minha vida e com a dos outros, para continuar a viver e a acreditar nessa vida que todos temos.
Ainda que todos os outros concorrentes o mereçam igualmente... Neste jogo de 'são os audazes que vencem', quero ser eu a vencedora.
Obrigada.
E como tenho como virtude/defeito a franqueza, clara serei.
Primeiro, com o objectivo de agradecer a quem votou e vota diariamente (refiro-me até àqueles que não gostaram do video, mas ainda assim -'Pimbas, toma lá outro voto'), e com o objectivo de fazer chegar àqueles que mal ou nada me conhecem as razões que me levaram a enfrentar uma camara e fazer o video que fiz.
Sim, é que eu estou habituada a estar atrás das camaras, sou muito boa com botõezinhos, máquinas e softwares, mas péssima no spotlight! Nunca sonhei estrelar nos Morangos com Açucar. Mas gosto, sim, de fazer bonequinhos em After Effects... escrever lençóis de textos... e viajar.
A verdade é que desde que terminei os meus estudos (em 2010) que tenho tido trabalhecos (nhecos nhecos) de pouca duração e que muito pouco têm a ver com a minha vocação. Posto isto, qualquer licenciatura ou mestrado de pouco me têm valido. OU de nada me têm valido.
Não tenho emprego. Ou pelo menos um que seja pago! Porque se considerarmos mandar 100 curriculos por dia um emprego... então eu estou em pleno full-time com várias horas extras, mas não remunerado! Mas também podemos considerar o estar em casa da mãe e ter comida na mesa "à borla" como uma remuneração. Também é válido. Obrigada, mãe!
- Mas porque foi a miuda por-se a competir nesta coisa?
- Ah, porque é uma chavala mega nice, super easygoing, que gosta imenso de viajar e não tem mais nada que fazer...
- Oh, porque gosta de aparecer... na verdade quer é entrar nas novelas da TVI.
-Porque é mega cool participar nestas cenas e pedir likes aos amigos...
NÃO!
A resposta é simples..
Eu já apanhei morangos, eu já servi às mesas, eu até já limpei casas-de-banho. E sem preconceitos 'bestas' porque por acaso gostei de trabalhar no campo, por acaso até gostei de servir às mesas e.... limpar casas de banho....bah... já o faço em minha casa há muitos anos. Alguém tem de o fazer. Mas neste momento não tenho nem morangos a apanhar nem casas-de-banho a limpar... E muito menos ouso sonhar com um emprego na minha área (é quase uma blasfémia..)
E o que faz uma miuda de 27 anos em casa a olhar pela janela senão perguntar-se:
-O que vou fazer amanhã?
- Nada. Enviar Cvs, beber uns quantos cafés enquanto tento impingir o meu video a mais uns quantos desgraçados... e esperar pelo dia seguinte.
Será (talvez) uma tortura para vocês, mas mais torturante o é para mim.
E para finalizar... o último objectivo deste texto é mesmo... conseguir mais votos. Para me pôr a andar d'aqui pra fora, para fazer algo util com a minha vida e com a dos outros, para continuar a viver e a acreditar nessa vida que todos temos.
Ainda que todos os outros concorrentes o mereçam igualmente... Neste jogo de 'são os audazes que vencem', quero ser eu a vencedora.
Obrigada.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Perspectivas
As várias ideias que surgem de uma mesma coisa:
- Sou portuguesa e estou na apanha do morango.
1 espanhol
- Pois, Espanha e Portugal estão a passar por momentos terríveis.. agora precisamos de nos adaptar a novas carreiras! Como apanhar morangos, não é?
Agora que estamos ambos na merda, já vos podemos tratar como iguais, ora dá cá um abraço! E desculpa lá aquela cena dos Filipes e das invasões... o pessoal estava aborrecido.. foi só uma brincadeira, pa.
1 francês
- Portuguesa? A minha porteira é portuguesa. Mas agora tenho de ir ali... enfiar-me no meu quarto durante horas e não falar com ninguém. Ah, e essa loiça toda que eu usei, não fui eu que sujei. 'Tá? E se ficares sem sinal de internet durante várias horas, a culpa também não é minha.. não sei o que se passa, só o meu computador o apanha. Au revoir!
1 alemão
- A apanha do morango requer uma técnica especial e um treino intensivo até se conseguir uma boa colheita. Mas vocês latinos são uns preguiçosos. Não admira que estejam como estão. Desordeiros! Diz-me lá, quantas vezes passaste à frente de alguém na fila para a casa-de-banho? Inadmissível!
1 Inglês
- Ooohhh, eu adoro Portugal! Albufeira! Albufeira! Wow, such a nice place, had so much fun... Love it!
É a capital, não é? E morangos!? Morangosca! Love it!
1 bulgaro
- 'Tá bem, mas não penses que vens p'raqui roubar vagas de trabalho aos meus primos. Aliás, estão 20 a caminho.
1 romeno
- Quanto é que se ganha lá em Portugal? E quanto pagas de renda? Tens mãe? Ah, e falam espanhol, não é? Achas que dá para entrar sem visto? Ah, e já agora... olha só ali pró céu, 'tá tão bonito... é porque por acaso eu estava interessado em ver o que tinhas nos bolsos.
1 brasileiro
- Que legaaaal! Meu tetravô era português, de Trás-os-Montes, e ele apanhava batatas! Muito legal, isso, velho, a gente se conectando com a terra... com a graça de Jesus.. E Nossa Senhora de Fátima.
1 marroquino
- És portuguesa e então? Lá porque eu sou marroquino, não quer dizer que sejas melhor que eu! Tão sempre a tentar por-nos para baixo! Olha, olha, lá porque sou marroquino... e então? E ..e...e... é só gays... nesses vossos paises! Onde já se viu isso?! E..e ...e.. a apanha do morango.. pois, é porque andam a por-se a jeito, é o que é! Heresias!
1 russo
- Vodka?
1 americano
- Não faço ideia onde fica o teu país. E como é isso de apanhar morangos? Vais ao supermercado e apanhas o que lá houver?
(qualquer parágrafo contido neste texto é pura ficção e sem intenção de ferir susceptibilidades.)
- Sou portuguesa e estou na apanha do morango.
1 espanhol
- Pois, Espanha e Portugal estão a passar por momentos terríveis.. agora precisamos de nos adaptar a novas carreiras! Como apanhar morangos, não é?
Agora que estamos ambos na merda, já vos podemos tratar como iguais, ora dá cá um abraço! E desculpa lá aquela cena dos Filipes e das invasões... o pessoal estava aborrecido.. foi só uma brincadeira, pa.
1 francês
- Portuguesa? A minha porteira é portuguesa. Mas agora tenho de ir ali... enfiar-me no meu quarto durante horas e não falar com ninguém. Ah, e essa loiça toda que eu usei, não fui eu que sujei. 'Tá? E se ficares sem sinal de internet durante várias horas, a culpa também não é minha.. não sei o que se passa, só o meu computador o apanha. Au revoir!
1 alemão
- A apanha do morango requer uma técnica especial e um treino intensivo até se conseguir uma boa colheita. Mas vocês latinos são uns preguiçosos. Não admira que estejam como estão. Desordeiros! Diz-me lá, quantas vezes passaste à frente de alguém na fila para a casa-de-banho? Inadmissível!
1 Inglês
- Ooohhh, eu adoro Portugal! Albufeira! Albufeira! Wow, such a nice place, had so much fun... Love it!
É a capital, não é? E morangos!? Morangosca! Love it!
1 bulgaro
- 'Tá bem, mas não penses que vens p'raqui roubar vagas de trabalho aos meus primos. Aliás, estão 20 a caminho.
1 romeno
- Quanto é que se ganha lá em Portugal? E quanto pagas de renda? Tens mãe? Ah, e falam espanhol, não é? Achas que dá para entrar sem visto? Ah, e já agora... olha só ali pró céu, 'tá tão bonito... é porque por acaso eu estava interessado em ver o que tinhas nos bolsos.
1 brasileiro
- Que legaaaal! Meu tetravô era português, de Trás-os-Montes, e ele apanhava batatas! Muito legal, isso, velho, a gente se conectando com a terra... com a graça de Jesus.. E Nossa Senhora de Fátima.
1 marroquino
- És portuguesa e então? Lá porque eu sou marroquino, não quer dizer que sejas melhor que eu! Tão sempre a tentar por-nos para baixo! Olha, olha, lá porque sou marroquino... e então? E ..e...e... é só gays... nesses vossos paises! Onde já se viu isso?! E..e ...e.. a apanha do morango.. pois, é porque andam a por-se a jeito, é o que é! Heresias!
1 russo
- Vodka?
1 americano
- Não faço ideia onde fica o teu país. E como é isso de apanhar morangos? Vais ao supermercado e apanhas o que lá houver?
(qualquer parágrafo contido neste texto é pura ficção e sem intenção de ferir susceptibilidades.)
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Posso fazer alguma coisa para ajudar?
Não.
Há nove anos atrás também soube que aquilo que albergamos no coração é, muitas vezes, maior ainda do que pensavamos que fosse. Amor. Tão grande.
Há precisamente nove Agostos atrás soube que a definição de 'garantia' só se aplica à morte. Só ela está garantida. Garante-se a si mesma, mas tão pouco nos diz quando chega. Só se sabe que chega.
Dar por garantida a vida e os anos que nos aguardam é um sonho. Dar por garantida a companhia de quem gostamos até ao nosso próprio termo final é um sonho.
Há nove anos atrás também soube que aquilo que albergamos no coração é, muitas vezes, maior ainda do que pensavamos que fosse. Amor. Tão grande.
- Vá lá, eu até prefiro nunca mais te ver, mas saber-te vivo e feliz. Vá lá, sobrevive, vive. Apenas isso.
Quero que vás para bem longe, que vás para a Austrália!, que nos zanguemos, que deixemos de falar, que se azede a nossa amizade. Não quero saber. Vá lá, sobrevive, vive. Apenas isso. Saber-te vivo e feliz... Apenas isso.
Quero que vás para bem longe, que vás para a Austrália!, que nos zanguemos, que deixemos de falar, que se azede a nossa amizade. Não quero saber. Vá lá, sobrevive, vive. Apenas isso. Saber-te vivo e feliz... Apenas isso.
Soube também que afinal ainda sabia rezar as Avé Marias e os Pais Nossos todos. Descobri que na situação mais extrema, de pânico e dor, qualquer ateu vira crente. Que qualquer besta vira mansa. Que tudo o que valorizamos, deixa de ter valor. E tudo o que desvalorizamos, ganha um valor imenso.
Que raio é isto? De ter de te ver desacordado, ligado a uma máquina para respirares, essa máquina que não são os teus pulmões, essa máquina que não é mais o teu coração? Onde estás?
Que raio é isto? De ter de te ver desacordado, ligado a uma máquina para respirares, essa máquina que não são os teus pulmões, essa máquina que não é mais o teu coração? Onde estás?
Soube também que o mundo desaparece. O mundo que conhecemos desaparece. Uma construção que implode. As pessoas que estão à nossa volta tornam-se invisíveis, os sons tornam-se mudos, as cores tornam-se turvas. O tempo estanca. O espaço... nem sei se existe.
Mas que o coração que bate, tão forte, ele sim é real. E queremos arrancá-lo.
Tê-lo-ia arrancado e tê-lo-ia dado a ti.
Como se pode ser tão generoso, afinal? Eu ter-te-ia dado o meu coração, para que vivesses, mas depois ficava eu sem ele. Não faz sentido. Então depois eu não já não viveria mais e não poderia ver-te viver outra vez...
Mas não se pensa nisso, não há lógica nem razão no amor. É talvez a coisa mais ilógica de sempre, mas a única coisa que nos sustém.
Porém...talvez a morte não seja uma coisa triste. Somos nós que valorizamos demais a vida. Porque não conhecemos outros limites fora deste quadrado.
Mas não se pensa nisso, não há lógica nem razão no amor. É talvez a coisa mais ilógica de sempre, mas a única coisa que nos sustém.
Porém...talvez a morte não seja uma coisa triste. Somos nós que valorizamos demais a vida. Porque não conhecemos outros limites fora deste quadrado.
Passados nove anos, saltam imagens de coisas que fizemos, aparecem conversas que tivemos e até as que não tivemos. Recrio momentos que nunca aconteceram, entre aqueles que realmente aconteceram.
Acho que ainda me lembro da tua voz, mas não tenho a certeza. Acho que sei como serias hoje, mas também não sei ao certo. Talvez tivesses mesmo ido para a Austrália e talvez nunca mais nos tivessemos falado.
Acho que ainda me lembro da tua voz, mas não tenho a certeza. Acho que sei como serias hoje, mas também não sei ao certo. Talvez tivesses mesmo ido para a Austrália e talvez nunca mais nos tivessemos falado.
Não sei porquê desejei que fosses para a Austrália e que nunca mais nos tivessemos falado. Talvez fosse a penitência que eu estaria disposta a pagar como troca, pela tua vida de volta.
Mas gosto de pensar que continuariamos a ser tão amigos como sempre fomos, que continuaríamos a ir ao cinema à meia-noite, que conversariamos sobre livros e filmes, que falariamos sobre as tuas namoradas e sobre os meus namorados. E que, invariavelmente, me continuarias a roubar o comando da televisão e a deixar a casa-de-banho inundada após cada banho teu. E que, sim, as latas de atum eram todas tuas e mais ninguém devia tocar nelas!
Ainda sonho contigo a brincar com os meus filhos. Filhos esses que nem existem. Mas continuo a imaginar como serias como tio. Ainda continuo a imaginar-te com 50 anos e a imaginar-me a mim com 44, a conversar num alpendre, sobre as estrelas.
Ainda sonho contigo a brincar com os meus filhos. Filhos esses que nem existem. Mas continuo a imaginar como serias como tio. Ainda continuo a imaginar-te com 50 anos e a imaginar-me a mim com 44, a conversar num alpendre, sobre as estrelas.
E então talvez ainda vivas. Porque a cada memória e a cada imagem imaginada, te tornas real.
Passados nove anos, não pesa mais a tua ausência. Acostumamo-nos a ela. Também já não pesa a memória d'aquele dia. Ele é apenas uma referência, de algo que aconteceu, mas que ficou para trás.
Passados nove anos, a única coisa que pesa é saber que a cada dia que passa, o amor se vai apagando, a emoção ficando aguada, e que o coração que eu te teria dado naquele momento... já aprendeu a viver sem ti.
Passados nove anos, a única coisa que pesa é saber que a cada dia que passa, o amor se vai apagando, a emoção ficando aguada, e que o coração que eu te teria dado naquele momento... já aprendeu a viver sem ti.
Ao meu irmão Filipe Luelmo
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
And what if...
And what if...we could go back in time and change small things? Or even big ones?
My more-mature side has chosen the day I gave the car keys to my brother. Anyway, I am not going to explain the whole story. Half-word is enough. I would have changed that day, I wouldn't have given him those keys.
Second: not so serious, but serious enough, I also have to choose the day I started drinking coca-cola, getting addicted to it. I shouldn't have tried it. Because, Yeah, I am 'cocacoholic', but not very anonymous. I know how much my palate likes it, I am just not so sure about my veins and blood pressure.
And now my more primitive side... I also pick a specific day, when a particular guy, whose the name should not be pronounced, was very arrogant-obnoxious-meanfull-arsehole towards me and instead of breaking his teeth, I acted very maturely just turning my back to him. Oh dear, he was so deserving to lose them. I would love so much to go back and do it! But come here, little boy, we can still 'fix' that! You would be teeth-less but surely more wise now! So you can actually consider it as a gift!
And what if.. we could say, for one day, everything that is stuck in our throats? Without consequences...
Okay, I am going to say it now, so.. there will be consequences, right? Hope not..
My more-serious side would say to the rich people of this country - "What the fuck is wrong with you, guys? Maybe you can not provide jobs to everyone, but you could buy houses to thousands of families that are struggling to pay their fucking rents and barely have food to eat, while you just collect Ferraris in your stupid garage!".
...Well, this is serious...or is it not? I am confused now.
I would also say to this strange-awkward man that sends me cryptic messages every day trying to set a date: "Look, I don't hate you...yet... but you really annoy me. You are such a retarded. I am so sorry, it is not your fault to be a retarded, but it is your fault if you keep annoying me. You are ugly, you stink, you don't even know how to pronounce your own name without stammering. You are 40 and you sound 12. Why would I want to have a date with you? Move on".
But this is so mean that I obviously can not do it for real.
And one more thing. I really wanted to say to these people that make little jokes about me having two dogs, one very big and one very small, that "NO, I am not going to sell you my Spitz, are you fucking nuts? She belongs to the family. That would be abandoning! And what's wrong about the big one? Why don't you try to buy it, too? Because she's too big and you obviously can not handle it? Or is it because it's not so posh? Buy a brain instead!"
And what if... we could do something very radical without running risk of life?
So many things....
I absolutely would drive 200km/h down to Africa, with my two dogs, find a desert (near an oasis) and sleep there for a couple of nights. They would be unleash, they would run like crazy, so as me.
I would swim with whales. I would play with lions. I would jump from cliffs into the ocean. I would climb trees and make friendships with wild monkeys. And all this 'washed down' with red wine.
Just trying to figure out where would be my dogs in meanwhile... well, it doesn't matter... I would find them again, happily tired, because this would be a win-win situation anyway.
And what if... we could say to our friends everything that crosses our mind? Some friends do it and nothing happens, I guess... but it is very rare.
I would say how boring it is when they drag their boyfriends/girlfriends along with them when you just want one night out without those supplements!
I would say as well - "Girl, just stop combing your hair every five minutes, right now! You look like a fool superficial maniac girl. Oh, sorry, you are that...actually!...And...My bag? What's wrong with my bag? Oh, it doesn't match my shoes... that's a sad sad situation, but not as much as your poor poor brain.'
Okay, I have just lost ...errrr... 3 friends right now. UPSY!
And what if .... men could actually understand that they are equally complicated as we are?
That would be the end of the modern world.
And what if... facebook didn't exist??
Ohhhh my GOOODDD.......
Well, something special would happen, I reckon.. I lived without it many years. And I was happier back in those times.
But Chinese don't have it and...still... they are mad as hell!!!
(oh Lord, now I am in a big trouble)
And what if... ?
My more-mature side has chosen the day I gave the car keys to my brother. Anyway, I am not going to explain the whole story. Half-word is enough. I would have changed that day, I wouldn't have given him those keys.
Second: not so serious, but serious enough, I also have to choose the day I started drinking coca-cola, getting addicted to it. I shouldn't have tried it. Because, Yeah, I am 'cocacoholic', but not very anonymous. I know how much my palate likes it, I am just not so sure about my veins and blood pressure.
And now my more primitive side... I also pick a specific day, when a particular guy, whose the name should not be pronounced, was very arrogant-obnoxious-meanfull-arsehole towards me and instead of breaking his teeth, I acted very maturely just turning my back to him. Oh dear, he was so deserving to lose them. I would love so much to go back and do it! But come here, little boy, we can still 'fix' that! You would be teeth-less but surely more wise now! So you can actually consider it as a gift!
And what if.. we could say, for one day, everything that is stuck in our throats? Without consequences...
Okay, I am going to say it now, so.. there will be consequences, right? Hope not..
My more-serious side would say to the rich people of this country - "What the fuck is wrong with you, guys? Maybe you can not provide jobs to everyone, but you could buy houses to thousands of families that are struggling to pay their fucking rents and barely have food to eat, while you just collect Ferraris in your stupid garage!".
...Well, this is serious...or is it not? I am confused now.
I would also say to this strange-awkward man that sends me cryptic messages every day trying to set a date: "Look, I don't hate you...yet... but you really annoy me. You are such a retarded. I am so sorry, it is not your fault to be a retarded, but it is your fault if you keep annoying me. You are ugly, you stink, you don't even know how to pronounce your own name without stammering. You are 40 and you sound 12. Why would I want to have a date with you? Move on".
But this is so mean that I obviously can not do it for real.
And one more thing. I really wanted to say to these people that make little jokes about me having two dogs, one very big and one very small, that "NO, I am not going to sell you my Spitz, are you fucking nuts? She belongs to the family. That would be abandoning! And what's wrong about the big one? Why don't you try to buy it, too? Because she's too big and you obviously can not handle it? Or is it because it's not so posh? Buy a brain instead!"
And what if... we could do something very radical without running risk of life?
So many things....
I absolutely would drive 200km/h down to Africa, with my two dogs, find a desert (near an oasis) and sleep there for a couple of nights. They would be unleash, they would run like crazy, so as me.
I would swim with whales. I would play with lions. I would jump from cliffs into the ocean. I would climb trees and make friendships with wild monkeys. And all this 'washed down' with red wine.
Just trying to figure out where would be my dogs in meanwhile... well, it doesn't matter... I would find them again, happily tired, because this would be a win-win situation anyway.
And what if... we could say to our friends everything that crosses our mind? Some friends do it and nothing happens, I guess... but it is very rare.
I would say how boring it is when they drag their boyfriends/girlfriends along with them when you just want one night out without those supplements!
I would say as well - "Girl, just stop combing your hair every five minutes, right now! You look like a fool superficial maniac girl. Oh, sorry, you are that...actually!...And...My bag? What's wrong with my bag? Oh, it doesn't match my shoes... that's a sad sad situation, but not as much as your poor poor brain.'
Okay, I have just lost ...errrr... 3 friends right now. UPSY!
And what if .... men could actually understand that they are equally complicated as we are?
That would be the end of the modern world.
And what if... facebook didn't exist??
Ohhhh my GOOODDD.......
Well, something special would happen, I reckon.. I lived without it many years. And I was happier back in those times.
But Chinese don't have it and...still... they are mad as hell!!!
(oh Lord, now I am in a big trouble)
And what if... ?
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Early twenties vs late twenties
Não quero que este texto seja sobre mim ou apenas sobre mim, porque sei que ele não me retrata apenas a mim, mas a todo um conjunto de pessoas.
Vamos deambular sobre as diferenças entre 'early twenties' e 'late twenties' (desculpem, mas não encontro tradução ideal para estas expressões).
Cada idade tem as suas particularidades específicas e raras serão as pessoas que escapam a elas.
Tenho no entanto de fazer o seguinte reparo: as idades são vividas de forma diferente (ou mesmo muito diferente) consoante a cultura e o país onde crescemos. Posto isto, falarei apenas da cultura Ocidental, que é a minha, porque não me sinto no direito nem na propriedade de falar de nenhuma outra.
Todos os jovens da minha idade (os que andam entre os 25 e 30 anos, mais coisa menos coisa), já terão sentido as alteração de humor e de hábitos sobre os quais escreverei, assim que começaram a entrar na fase adulta. Sim, porque eu considero que não se é realmente adulto aos 18, mas um pouco mais tarde.
No inicio da casa dos vinte (ou talvez um pouco antes) é vulgar sentirmos uma certa urgência em estar em todo o lado e a todo o momento. E ainda que isso não seja possível, fazemos os impossíveis para que se concretize. Há uma certa ansiedade no ser-se jovem.
E uma certa esquizofrenia que nos leva a personificar múltiplas personalidades e estilos consoante o momento e o grupo onde nos vemos inseridos. Queremos ir a todos os festivais, sair todos os fins de semana, beber além da conta, fumar 'aquelas cenas' menos recomendáveis, enquanto 'desperdiçamos' tempo em conversas de café que raramente nos levam a parte alguma. Mas o que conta não são os conteúdos, mas sim o estar-se 'lá' e fazer parte do estamos a viver. O sentimento de pertença, o sentimento de partilha e, acima de tudo, aquele sentimento que nos diz que quanto mais pessoas conhecermos e mais sítios frequentarmos, mais activos e produtivos somos.
A parte do activos é sem sombra de dúvidas bastante real, já a parte do produtivos é dúbia. Mas tão pouco interessa, desde que estejamos 'lá'. I love life! It is such an adventure!
Mas quando começamos a passar o quarto de século, mais rapidamente dizemos 'não' a uma saída à noite que a uma bela noite de sono.
Imagino eu que seja por ter-se esgotado o tal 'glamour' que antes víamos em ditas actividades, ou porque já sabemos que estar de ressaca é uma merda. Pior ainda é estar de ressaca e saber que as muitas conversas que tivemos na noite anterior não nos acrescentaram absolutamente nada, senão apenas mais um vírgula aqui e ali que não vai mudar em nada o resto da nossa semana.
E como sabe bem dormir e acordar com a vias respiratórias desobstruídas! Mas também só sabemos o bem que isso sabe depois de perdermos muitas noites em claro e de nos intoxicarmos múltiplas vezes. Portanto, alguma coisa essas vivências nos terão trazido de positivo. Jesus, I love to take a nap...
No início da casa dos vinte também é vulgar sermos arrebatados por paixões assolapadas por pessoas que mal conhecemos e sobra as quais não paramos de pensar durante meses. Normalmente somos arrebatados por uma simples troca de olhares, por um estilo mais arrojado, por uma deixa mais feliz ou simplesmente porque estamos na demanda de encontrar o amor da nossa vida, do príncipe ou princesa encantados e, até provado o contrário, muitos são os potenciais detentores da coroa. Oh Lord, I am so in love with him!
No final dos vintes, mais rápido vamos jantar um naco-na-pedra com a mãe, enquanto não pensamos em outra coisa senão no bem-dito naco-na-pedra que estamos a comer e que sabe maravilhosamente, que ir a um encontro com X pessoa que talvez até tenha algum interessa mais profundo em nós, mas, até prova do contrário, aquece-nos menos que o naco-na-pedra. Oh Lord, I love food!
E isto talvez se dê porque já foi quebrado algures a ilusão de que o amor romântico é perfeito e que, muitas vezes, traz mais chatices do que benefícios.
Quando somos mais jovens coleccionamos amigos e conhecidos. Os amigos são amigos porque sim, os conhecidos igualmente porque sim. E não há nada que saiba melhor que ouvir o telemóvel tocar com a chamada de um qualquer desses amigos e suas inúmeras novidades.
Mais tarde, é um prazer deixá-lo deliberadamente no silêncio porque ainda que haja agora menos probabilidade de receber chamadas, tentamos ainda mais diminuir essa probabilidade e sermos persuadidos a ir a 'tal sítio'...porque só temos vontade de dizer que não e usufruir de uma bela tarde de silêncio, entre livros e canecas de chá.
Este é o momento em que começamos a dar mais valor a momentos passados com os pais, mas também a momentos passados connosco próprios. Queremos continuar a fazer parte do mundo, a ir a festas e a concertos, a ter amigos e partilhar conversas de café, assim como beber uns copos de vez em quando, mas de uma forma mais regrada.
No entanto, continuamos a ser jovens, ainda não empandeiramos os ténis ou os saltos-altos para usufruir da pantufa full-time. Mas já não nos parece tão estranho como antes parecia estar em casa a escrever um texto em plena temporada de festivais.
Vamos deambular sobre as diferenças entre 'early twenties' e 'late twenties' (desculpem, mas não encontro tradução ideal para estas expressões).
Cada idade tem as suas particularidades específicas e raras serão as pessoas que escapam a elas.
Tenho no entanto de fazer o seguinte reparo: as idades são vividas de forma diferente (ou mesmo muito diferente) consoante a cultura e o país onde crescemos. Posto isto, falarei apenas da cultura Ocidental, que é a minha, porque não me sinto no direito nem na propriedade de falar de nenhuma outra.
Todos os jovens da minha idade (os que andam entre os 25 e 30 anos, mais coisa menos coisa), já terão sentido as alteração de humor e de hábitos sobre os quais escreverei, assim que começaram a entrar na fase adulta. Sim, porque eu considero que não se é realmente adulto aos 18, mas um pouco mais tarde.
No inicio da casa dos vinte (ou talvez um pouco antes) é vulgar sentirmos uma certa urgência em estar em todo o lado e a todo o momento. E ainda que isso não seja possível, fazemos os impossíveis para que se concretize. Há uma certa ansiedade no ser-se jovem.
E uma certa esquizofrenia que nos leva a personificar múltiplas personalidades e estilos consoante o momento e o grupo onde nos vemos inseridos. Queremos ir a todos os festivais, sair todos os fins de semana, beber além da conta, fumar 'aquelas cenas' menos recomendáveis, enquanto 'desperdiçamos' tempo em conversas de café que raramente nos levam a parte alguma. Mas o que conta não são os conteúdos, mas sim o estar-se 'lá' e fazer parte do estamos a viver. O sentimento de pertença, o sentimento de partilha e, acima de tudo, aquele sentimento que nos diz que quanto mais pessoas conhecermos e mais sítios frequentarmos, mais activos e produtivos somos.
A parte do activos é sem sombra de dúvidas bastante real, já a parte do produtivos é dúbia. Mas tão pouco interessa, desde que estejamos 'lá'. I love life! It is such an adventure!
Mas quando começamos a passar o quarto de século, mais rapidamente dizemos 'não' a uma saída à noite que a uma bela noite de sono.
Imagino eu que seja por ter-se esgotado o tal 'glamour' que antes víamos em ditas actividades, ou porque já sabemos que estar de ressaca é uma merda. Pior ainda é estar de ressaca e saber que as muitas conversas que tivemos na noite anterior não nos acrescentaram absolutamente nada, senão apenas mais um vírgula aqui e ali que não vai mudar em nada o resto da nossa semana.
E como sabe bem dormir e acordar com a vias respiratórias desobstruídas! Mas também só sabemos o bem que isso sabe depois de perdermos muitas noites em claro e de nos intoxicarmos múltiplas vezes. Portanto, alguma coisa essas vivências nos terão trazido de positivo. Jesus, I love to take a nap...
No início da casa dos vinte também é vulgar sermos arrebatados por paixões assolapadas por pessoas que mal conhecemos e sobra as quais não paramos de pensar durante meses. Normalmente somos arrebatados por uma simples troca de olhares, por um estilo mais arrojado, por uma deixa mais feliz ou simplesmente porque estamos na demanda de encontrar o amor da nossa vida, do príncipe ou princesa encantados e, até provado o contrário, muitos são os potenciais detentores da coroa. Oh Lord, I am so in love with him!
No final dos vintes, mais rápido vamos jantar um naco-na-pedra com a mãe, enquanto não pensamos em outra coisa senão no bem-dito naco-na-pedra que estamos a comer e que sabe maravilhosamente, que ir a um encontro com X pessoa que talvez até tenha algum interessa mais profundo em nós, mas, até prova do contrário, aquece-nos menos que o naco-na-pedra. Oh Lord, I love food!
E isto talvez se dê porque já foi quebrado algures a ilusão de que o amor romântico é perfeito e que, muitas vezes, traz mais chatices do que benefícios.
Quando somos mais jovens coleccionamos amigos e conhecidos. Os amigos são amigos porque sim, os conhecidos igualmente porque sim. E não há nada que saiba melhor que ouvir o telemóvel tocar com a chamada de um qualquer desses amigos e suas inúmeras novidades.
Mais tarde, é um prazer deixá-lo deliberadamente no silêncio porque ainda que haja agora menos probabilidade de receber chamadas, tentamos ainda mais diminuir essa probabilidade e sermos persuadidos a ir a 'tal sítio'...porque só temos vontade de dizer que não e usufruir de uma bela tarde de silêncio, entre livros e canecas de chá.
Este é o momento em que começamos a dar mais valor a momentos passados com os pais, mas também a momentos passados connosco próprios. Queremos continuar a fazer parte do mundo, a ir a festas e a concertos, a ter amigos e partilhar conversas de café, assim como beber uns copos de vez em quando, mas de uma forma mais regrada.
No entanto, continuamos a ser jovens, ainda não empandeiramos os ténis ou os saltos-altos para usufruir da pantufa full-time. Mas já não nos parece tão estranho como antes parecia estar em casa a escrever um texto em plena temporada de festivais.
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