quarta-feira, 2 de abril de 2014

"Redes sociais são os piores inimigos dos desempregados"


A partir desta frase que intitula um artigo de Isabel Jonet - Presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares - sobre os malefícios das redes sociais, deu-me na gana divagar sobre a mesma.
Porque eu cá acho que o pior inimigo dos desempregados, embora seja uma teoria simplista, são os empregadores que não empregam esses mesmos desgraçados e não as redes sociais! Mas como é tão mais simples criar bodes expiatórios, não é?

Neste caso a própria Isabel Jonet, que até acredito já ter feito muita coisa positiva em prol dos outros, encontra-se numa posição favorável não só para ela mesma, mas para a criação de postos de trabalho. Mas penso que terá ficado pelo 'ela mesma'. E no entanto vem cuspir estas barbaridades.
É sabido que o Banco Alimentar tem parcerias explicitas com as empresas mais ricas do país. Se eu quiser ajudar, com um pacote de leite ou de arroz, tenho de comprar ao Belmiro. O Belmiro por sua vez é podre de rico!, mas os voluntários que angaria para irem para os supermercados abanar saquinhos de plástico no nosso nariz, não recebem nada.

Onde é que as redes sociais entram como vilãs? Eu tenho outra teoria - é que grande parte dos desempregados tem vários amigos que por acaso estão empregados, isto é, não têm tempo para ir para o café desfiar grandes conversas e, como consequência, o pessoal enfia-se na rede social virtual para poder estar em contacto com os amigos. E se isso é mau?, é. Mas pior seria ficar a falar com as paredes e perder totalmente esses contactos. Digo eu!
Mas por experiência própria sei também que quando há um grupo de amigos desempregados, estes raramente se deixam ficar a babar em cima do teclado. Pelo contrário, juntam-se mais vezes na 'vida real' porque estão todos na mesma situação de não-fazer-nenhum - Então, bora aí beber uma jola e ver o rio. - ou mesmo - bora aí entregar uns Cvs.
Mas se calhar são as pessoas que eu conheço. Se calhar tive e tenho essa sorte. Porque se calhar há mesmo quem resolva ficar a borboletear na rede social em vez de mexer a peida.
Ah! E outra coisa: também sei que muitos trabalhos, ou mesmo empregos, se encontram a partir de contactos nas redes sociais!

Mas diz Isabel Jonet que as pessoas devem é ocupar o seu tempo a procurar emprego ou a fazer voluntariado. Pois eu quero dizer a essa simpática senhora que procurar emprego neste país tornou-se quase tão obsoleto e, de certo, bem menos divertido, que estar umas horas no Facebook a dizer baboseiras.
E quanto ao voluntariado, confesso que concordo que devíamos todos fazer mais voluntariado. Mas depende do voluntariado, não é? Porque em muitas situações chegamos à conclusão que até podíamos estar a ser pagos pelo serviço que prestamos, mas não estamos. E quando descobrimos isso, é natural que mandemos a vaca pastar.
O Banco alimentar e seus inúmeros voluntários são um bom exemplo. A Jonet e o Belmiro, e mais uns quantos, devem achar que nós acreditamos mesmo que é tudo por 'amor à camisola', quando eles estão sentados em Bancos não forrados de caixinhas de leite, mas de muito dinheirinho. E que somos todos uns idiotas por não estarmos a abanar saquinhos nos supermercados.
Eu tenho a leve sensação (ironia!) que esta coisa de nos mandarem ir fazer voluntariado é o mesmo que nos atirarem areia para os olhos. Há muita coisa para fazer, sim senhora, mas também há a possibilidade de retirar um sustento desses afazeres, mas 'eles' gostam de pintar o voluntariado como algo tão nobre, mas tão nobre, que não pode envolver dinheiro (no caso do voluntário!, porque eles enchem os bolsos).

Gosto de ver as coisas deste prisma - eu faço voluntariado todos os dias - Eu cuido de dois cães, eu cozinho para mim, para a minha mãe, para o meu namorado, eu varro o chão da minha casa, dou boleia a amigos que precisem, ajudo velhinhas a carregar as compras, etc.. E chamo-lhe voluntariado porque não recebo dinheiro em troca, mas pelo menos este 'voluntariado' dá-me prazer e acrescenta alguma coisa a mim e a quem eu gosto. Ir limpar praias ou distribuir a sopinha dos pobres, sabendo que várias entidades podiam e DEVIAM encarregar-se do mesmo sem ter de explorar mão-de-obra-grátis, parece-me injusto, para não dizer ridículo.

Mas, sim, como trabalho a partir de casa (a cena tem um nome muito cool - sou freelancer), tenho o Facebook ligado a maior parte do tempo. E a Isabel pode dizer-me que eu sou uma anti-social que já não sabe viver sem a rede social. Mas eu respondo à Isabel - Fofinha, não me deram outra alternativa senão a de me tornar freelancer. E por acaso 90% dos trabalhos que arranjo são através da Internet. E estando em casa a maior parte do tempo, sim, vou vendo aqui e ali umas quantas publicações deste e daquele. Até a tua me veio cair às mãos! Olha lá, se não fosse a rede social, poderias transmitir a tua mensagem? O teu apelo? Ou whatever? É que também não te estou a ver a ir bater de porta em porta, estilo testemunha de Jeová, e espalhar a tua mensagem.

Portanto, será isto que me tornou ou nos tornou mais 'virtuais' e menos socais? Será que são as redes sociais que nos impossibilitam de termos um emprego? Estamos no Facebook porque estamos desempregados ou estamos desempregados porque estamos no Facebook? A galinha ou o ovo? Quem nasceu primeiro? E será que nos impede de termos amigos verdadeiros? E se fossem todos catar coquinhos? Assim em árvores bem altas para se esbardalharem lá de cima?

Isto faz-me lembrar aquele tipos que só sabem dizer mal das redes sociais mas que por acaso até têm uma conta. E que por acaso até vêm para o chat várias vezes meter conversa, ainda que seja para dizer - Isto é uma merda! 

Tenhamos sabedoria ou equilíbrio o suficiente para separar as águas ou o trigo do joio (qual Jesus Cristo), e tentemos todos ver as coisas más, mas também as coisas boas que advêm de qualquer tipo de serviço ou ferramenta à qual temos acesso. Se tudo for feito com peso e medida (hoje estou a escorrer em expressões idiomáticas) a rede social pode ser, sim, uma óptima tecnologia.

Isabelinha, vai fazer o jantar!, só para não te mandar para outro sitio. Até porque (e agora corro o risco de me queimar ainda mais) fiz um trabalho há três meses para um dos teus amigalhaços e até hoje não me pagaram.



quarta-feira, 19 de março de 2014

No dia do Pai: ao meu Pai.


Nunca me hei-de esquecer de quem me ensinou a andar de baloiço. Eu com medo ia dando aos pézinhos fazendo o baloiço baloiçar, mas apenas um bocadinho - Paaai, empurraaa! - e o pai empurrava, empurrava, até que deixou de empurrar e quando me dou conta já estava em perfeito balanço, sozinha, enquanto ele apenas observava - uaaau, pai, eu consigo!! - e ele sorria provavelmente pensando - Claro que consegues, tu é que acabas de vir ao mundo e não sabes que isso é apenas uma das coisas mais fáceis que tens a aprender. Aguarda e verás. - Sim, é verdade, foi afinal das coisas mais fáceis de aprender. Tantas outras que ainda tinha pela frente e não sabia. Vai-se ficando a saber.

Depois de bicicleta o mesmo esquema, o pai corria atrás empurrando e amortecendo hipotéticas quedas, até que um dia dou por mim completamente lançada e vi o meu pai sentar-se num banco e abrir o jornal, descontraído - Vá, tu sabes andar sozinha! - gritou lá do fundo. Tinha 4 anos, fiquei aterrorizada! Ia sozinha lançada sobre duas rodas! Mas em poucos segundos enchi-me de orgulho e sem rodinhas extra passei a ser a ciclista mais veloz da praça. Ou assim gostava de pensar.

Também me lembro daquela noite em que me deu uma senhora bofetada porque tinha respondido torto a qualquer coisa (a primeira e última bofetada) para logo a seguir me pegar ao colo e me embalar durante meia hora pedindo desculpas. A bofetada nem doeu assim tanto, mas ficou cheio de remorsos. Eu acabei por ficar com mais pena dele do que ele de mim - Pobre criatura, que raiva é essa que tão rapidamente se transforma em lágrimas de arrependimento? Calma, está tudo bem.

Durante anos levou-me à escola de carro todas as manhãs. Até bastante tarde. Não era por falta de transportes públicos nem por não saber usá-los. Mas ele queria levar-me! E então acordava a horas que não tinha de acordar só para me levar. Assim podiamos conversar enquanto 'comiamos' filas de trânsito.
Adorava quando me dizia que eu tinha tantos talentos que a única hipótese futura era eu tornar-me rica. Estavas tão enganado, pai, mas ainda assim, sabia bem ouvi-lo. E sabe bem recordá-lo.
Gostava quando tínhamos conversas de 'gente para gente' e não de pai para filha. Sentia o meu intelecto respeitado e tão inteligente quanto ele. Dava-me a oportunidade de falar de tudo e com ele aprendi muita coisa. Os vícios paternais de acabar as conversas com alguma espécie de moral ou crítica destrutiva ou pseudo-constructiva - porque tu és minha filha e pensas assim e eu não quero que penses assim. Porque tu és minha filha e eu quero que sejas assado - raramente acontecia. Não, eu podia falar sobre aquilo que realmente pensava e quem respondia, quem concordava ou discordava, não era o pai, mas o humano, o ser pensante.
Mas também havia muito desse pai menos racional principalmente quando me via com algum rapaz - Tu andas com aquele tipo? - Não, pai, é só um amigo - Ah, ainda bem! - Mas porquê, pai? - Porque não gosto do piercing dele! Não me digas que beijas aquilo! - Ah, não sejas mentiroso, tu não queres saber do piercing, tu estás é com ciúmes! Ahah! - Não estou nada... ora essa... humpf...! - Estava pois! 

Sabia bem acordar e ir ao escritório dele onde teclava incessantemente nas suas traduções, abraçá-lo por trás e dar-lhe festinhas na careca todas as manhãs. Não dizia nada, apenas sorria. E continuava no 'clep clep clep clep'. Sentia tanto orgulho em dizer - O meu pai sabe 6 línguas. Faz traduções de Sueco e tudo, imaginem só! - Mas continuo a repeti-lo até hoje.

Foi estranho quando me pediu desculpas por ser um pai semi-presente-semi-ausente. Nunca entendi. Sempre o senti tão presente e preocupado, nunca ausente. Talvez se referisse aos momentos em que deixava a sua mente viajar para outros mundos. Mas isso todos nós fazemos, pai. Todos nós viajamos de vez em quando para distantes paradas.

De ti herdei estes olhos pequeninos que durante muitos anos odiei. Queria-os maiores! Agora gosto deles. São iguais aos teus. Também herdei este gosto pela escrita e pela linguística, embora não ouse sequer pôr-me no mesmo patamar da tua sabedoria.
Contigo aprendi as capitais todas do mundo. Lembras-te? Quando íamos no carro e me perguntavas as capitais e eu tinha-as todas na ponta-da-língua. Hoje já me esqueci de metade...
Também gostava de discutir contigo sobre o Início dos Tempos, sobre a formação da Pangeia, ou sobre que raio era afinal essa Pangeia; sobre as religiões do mundo e sobre as mais variadas hipóteses sobre as quais um agnóstico gosta de divagar. Sobre Deus ou esse Não-Deus. 

Agradeço por me teres deixado uma carta. "Querida Anuska". Ainda hoje a tenho guardada. Certo que falaste em todos os outros membros da família nessa carta, mas foi a mim que deixaste uma carta. Foi comigo que quiseste partilhar as tuas dores mais profundas e os teus desejos para o nosso futuro. Foi comigo que quiseste falar dos teus defeitos, das coisas que mais detestavas em ti e mostrar o quanto não querias que eu te seguisse as pisadas nesses aspectos. Porque eu sou tão parecida contigo, não é? Tu sabias disso. Foi a mim que quiseste explicar o quanto era importante para ti ter o poder da escolha, entre ficar ou ir embora. E pediste perdão, mas lá seguiste com a tua teimosia que desde cedo compartilhaste - Não escolhi nascer, tenho direito a escolher quando morrer.
Perdoei a tua vontade de querer ser livre...finalmente livre. Se não te amasse tanto, teria querido que tivesses permanecido comigo, mesmo sofrendo. Mas amava-te demais para tamanho egoísmo.
Mas também senti raiva porque eras a minha coluna vertebral, a minha estante com milhares de livros, o amor da minha vida. Perdi o pai, o chão e centenas de livros quando te foste embora. E pensei que não recuperaria jamais a vontade de continuar a viver. E pensei que me tornaria tão estúpida porque havia perdido o meu melhor professor.
Mas tu sabias, pois, que eu ia conseguir continuar a baloiçar sozinha, em alta velocidade, mesmo que no início tenha sido difícil dar o primeiro balanço. Sabias que eu ia conseguir. Como soubeste sempre quando largar o meu baloiço ou a minha bicicleta e deixar-me continuar sem ti. 




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Embrace yourself...happy birthday's posts are arriving!

This one has to be in English. Sorry, mates!, but it has a purpose.

I just wanted to share my basic feelings about this 'birthday thing'. It's not very complex and probably not very interesting for the majority of you (well, those who clicked on the link probably thought it was interesting, so... this is for you).

Maybe I am not in my best shape as I am a bit drunk. But I can still write! - I always got fascinated by this - no matter how much I drink, words still flow through my fingers - but as we Portuguese say: a drunker is the most honest person. As if I could get more honest.... One day I will pay a tax for honesty! Do not let them know! (But maybe I should... to shut up a bit.)

I was already expecting Facebook messages and all those trivial stuff. And it is with a smile I read all them. But just a few really touch my heart. And you all know what I am talking about. Some are just - "well, it is this person's birthday so I should say something", but I can distinguish this type from those that are - "I really want you to feel good about yourself, I like you!".
And I am more grateful to these last ones. Not that the other ones lose their good intention, but the second version fits way better.

I had made a decision this year. To celebrate my birthday with people that had showed to care about it, even before I have said something regarding it. And in the end of the story we were just four people at mid-night making a toast. And I was born at 12.35 am (so they say...). So, it makes some sense.
And the number 'four' might sound bad... But I have to say it was the first time I received a bouquet of flowers from a friend (not counting my grandmother that always fills my house with a whole garden, I love her) and a very nice piece of Art Work. Not that material gifts are more important, but the intention behind them are.
And I got to the conclusion (again) that... less is more.

To confine yourself to a very limit number of people or friends is not good if your are just running away from people because you are scared about what they think of you or because you don't know how to deal with them. But to make a conscious decision to let things flow and see how much people really care about being with you on your birthday (mainly regarding the fact it has fallen on a Tuesday evening) might be a clever way to know who really likes to be with you and celebrate you. I know other people who would have enjoined it too, but those are far away, in other cities or countries. And I know you are reading this, you sweeties.

We are in the Era of Globalization. Everyone is in touch with everyone. We can talk in real time with China or Australia. And that's wonderful. But how many people have already felt lost in the middle of this big crowd? I have.
In one hand is wonderful and I don't want to lose nor give up on this opportunity to be 'globalizationed', but one the other hand I already know how cold it can get. How close we seem to be with each-other and how far away we actually are.
Is there anything better than a real hug? Is there anything better than everyone knowing that is mid-night before you realizing it? Is there anything better than the comfortable silence between oral-real conversation? And is there anything better than arriving home and be received by your dogs (seriously, they knew there was something special about this day) and to be 'spoiled' by them and have them surrounding you waving their tales as if Jesus Christ has arrived?
Okay, mum, I did get your text message but I am not going to wake you up. Anyway, I love you, but you don't have a tale :)

Now I have a (also) spoiled dog sleeping and purring in my bed (and she usually sleeps with my brother) and I don't want kick her out. Right now she means much more than the bouquet of flowers (and way much the wine I have drunk), she represents the holiness of love. Of course she does not now it's my birthday, the same way she does not know my name either, but somehow she felt I was vibrating a different energy and somehow she felt like staying,
I will never get married, I will have a Zoo!



sábado, 1 de fevereiro de 2014

"Eu sou genial! Ou como diriam os franceses, Je suis géniale!"


Em consequência do "discurso" de Assunção Esteves, apeteceu-me escrever isto.

Num português refinadíssimo, de tal forma que se torna quase incompreensível, terá deixado o pessoal pouco instruído completamente à nora. Porque além de parecer ter engolido um dicionário de palavras e expressões crípticas, ainda recorreu ao francês e ao inglês, não fosse ela, de facto, uma senhora muito erudita e culta!
Não tenho nada contra quem sabe francês, eu gostava de saber. Também não tenho nada contra quem abunda vocabulário variadíssimo. É sinal de sabedoria ou conhecimento. Acho eu...
Mas este tipo de discurso para um público que está a ser cada vez mais privado de uma boa educação, parece-me apenas estúpido. Oh Assunção, troca lá isso por miúdos. Ninguém te vai achar menos interessante! Se é que alguém te acha interessante...
Mas houve uma coisa que me deixou ainda mais acelerada: quando ela diz que tem medo do egoísmo.
- Do egoísmo que nos deixa, de certo modo, castrados, em termos pessoais e em termos coletivos.

Eu acho que ela foi egoísta quando decidiu transbordar palavras e figuras de estilo impercetíveis.
E mais egoísta é quando não abdica do seu salário e das não sei quantas reformas de vários dígitos em tempos de crise.

Mas enfim, nem quero falar muito da senhora, porque não a conheço pessoalmente.
Ela é apenas um exemplo dos muitos gabirus que se acham geniais e que acham que não devem nada a ninguém.
Intelectuais da tanga que estão no poleiro, que proferem citações de uns tantos escritores eruditos e mandam umas palavras em francês ou chinês.
Queria era ver-vos a fazer alguma coisa real pelo estado em que deixaram o Estado!
Ide plantar batatas e couves! Ide apanhá-las e distribuí-las! Que palavras refinadas enchem a cabeça, mas não o estomago! Ou como diria o 'outro' - Vai mas é apanhar morangos!

O egoísmo faz, de certa forma, parte de todos nós. Todos temos um ego e todos temos uma certa dose de egoísmo. Mas há quem ultrapasse os limites.
Há pouco tempo em conversa com um rapaz (que mal conheço) dizia-lhe que achava inadmissível que certas figuras que detêm mais poder e riqueza, não sentissem a necessidade ou responsabilidade de ajudar os outros. Fosse criando mais postos de trabalho e abdicando assim um pouco do seu salário que iria ser distribuído por mais pessoas, ou fosse apenas ajudando diretamente algumas famílias carenciadas. Embora saiba que há pessoas que o fazem, mas sei de muitas que não.
E a resposta do tipo foi:
- Oh Aninhas, se tu te habituasses a receber 12.000 euros por mês, também não ias querer abdicar desse dinheiro, mesmo que pusesses menos pessoal a trabalhar e os matasses de stress.

Tive vontade de esganar a criatura. Afinal até o povinho que menos tem, pensa desta forma.
Para que quero eu 12.000 euros? E quem sou eu para achar que não sou responsável pelos outros?
Eu acho que todos somos responsáveis uns pelos outros. De uma forma mais ou menos direta, mas somos.
Quando a Assunção diz "(...) tenho medo do inconseguimento, que a Europa se sinta pouca conseguida, que não seja capaz de projetar para o mundo o seu 'soft-power' sagrado, a sua mística dos direitos, a sua religião civil da dignidade humana (...)".... Okay, vamos tentar traduzir isto para português corrente: o tal do 'soft-power' sagrado imagino que se refira ao poder de influenciar os outros através da cultura e dos valores, e não através das armas. Nisso a Europa até se tem portado bem. Não foge totalmente ao seu sentido... mas falando da tal projeção da mística dos direitos civis e dignidade humana, metendo a palavra 'sagrado' pelo meio, só tenho uma pergunta a fazer:
Projetar para o mundo o quê, mesmo?
Ela ficava bem a discursar no Festival Boom.

Claro que não nos podemos queixar de muita coisa, por enquanto ainda não estamos a viver uma guerra civil como na Síria, nem sofremos de escassez de água potável. Também vivemos num país onde temos liberdade de expressão, o que é ótimo! Tanta liberdade que esta gente até pode vir para televisão dizer o que me pareceu um relato de futebol em reverse.
Mas de momento não vejo porque tem ela medo de não sermos capazes de projetar no mundo a tal dignidade dos direitos humanos, porque nem ela sabe o que é isso.
O que ela tem medo é que isso não exista, de facto, nem nunca tenha existido. Não para todos. E se não é para todos, então é uma falácia.
Lutar pela dignidade humana não é, no meu ver, distribuir umas sopinhas aos pobres, é sim dar-lhes ferramentas para que consigam eles mesmos fazer a sua sopa. Não é criar umas quantas instituições, onde deixam as pessoas ao Deus-dará, mas sim dar-lhes a conhecer o seu verdadeiro potencial e deixa-las exercê-lo! Parece-me mais importante que possamos viver realmente essa tal da dignidade civil e humana do que projetar apenas a ideia da existência de uma, quando ela não existe.
Consegues ou inconsegues perceber isso, minha querida? Ah.. e a palavra/verbo 'inconseguir'...tambem nao existe! Poupa os 'francesismos' para as tuas conversas de cafe.

Boa Tarde! Ou como diriam os franceses, bonne après-midi!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ano 2013 em revista

Sempre quis fazer isto!!!
Mas como não sou a CNN... Será "Um ano em revista à la Luelmo": atabalhoado, pessoal, cheio de partidarismos e crítico.

Em 2013 tivemos alguns acontecimentos interessantes, uns pela positiva, outros pela negativa, outros apenas pelo seu cariz insólito. Mas o Mundo não seria Mundo se tudo fosse canções de amor... Seria, sim, um chato concerto do Tony Carreira, sem querer ofender o senhor.

Comecemos pelo Vaticano. Só para seguir o calendário, nada mais.
Ratzinger abdica a 28 de Fevereiro. Abdica do seu posto Papal e do seu cognome 'Bento qualquer-coisa' (XVI?), para espanto de muitos.
Para meu espanto também, confesso. Fazia tempo que não se assistia a um acto tão honesto e espontâneo vindo d'aqueles lados.
Dizem as más línguas que o senhor está senil, doente, com os pés para a cova, mas eu cá acho que Ratzinger se desiludiu, simplesmente, com a Instituição que o elevou a Papa. Afinal de contas...santos? Só os feitos de pau.
Deve ter visto o que não queria ver e ter sido levado a fazer o que não queria fazer. Mas isto serão sempre apenas suposições minhas. Não tenho Twitter, não sei como me pôr em contacto com ele e perguntar-lhe o que realmente aconteceu.
Talvez tenha também tido algum tipo de crise religiosa, porque como dizia o meu pai:
- Se nem a eles Deus aparece, eles que são os eleitos e supostamente mais próximos a Deus...um 'gajo' deve sentir-se frustrado!"
Mas logo a seguir, a 13 de Março, aparece-nos Jorge Bergoglio, conhecido agora por Francisco, jesuíta de coração e a grande surpresa do ano! Sei que já falei sobre ele em tempos idos, neste mesmo blog, mas agora redimo-me dizendo - Gosto mesmo dele! Além de mostrar ter uma fé inabalável, ou não se exporia aos atiradores e outros maníacos recusando-se a andar dentro de Papa-Mobil, tem-se mostrado um ser humano detentor de nobres princípios, actos genuínos e mostra um conjunto conciso de objectivos claros em prol da pacificação e igualdade.
Falando curto e grosso - É um gajo sem merdas!
Não sou religiosa, considero-me agnóstica (não confundir com ateia), mas tendo em conta que a Igreja possui tamanha influência no mundo, ao menos que seja liderada por alguém decente.

E agora outras realezas.
A 22 de Junho nasce o menino real, filho do principe William e Kate Middleton.
Não terei sido, com certeza, a única a ter vivido emoções mistas com este acontecimento.
Por um lado é uma criança que nasce, o que é sempre emocionante. Além de ser um menino que pertence a uma linhagem real antiga e, portanto, com uma qualquer aura mágica à sua volta.
Filho de duas criaturas simpáticas e bonitas. Com mais ou menos ouro a debruar os seus bidés, são, sim, figuras simpáticas! E digam o que disserem, a família real inglesa foi sempre um poço de emoções. Não só alimentam alguns contos de fadas (o que eu acho ser importante), como também rendem milhões em canecas, almofadas e naperons com suas caras estampadas a muitos comerciantes. E antes uma novela real que as da televisão.
Por outro lado é uma criança que nasce, como qualquer outra, e que já tem direito a mais holofotes e faqueiros com diamantes incrustados que os que eu terei mesmo que vivesse 500 anos, valha o que valer. E quando digo 'eu', refiro-me a qualquer outro comum mortal. É tudo um pouco demais. Mas se até eu falo nele, é porque tinha de ser.

Passando a coisas realmente maravilhosas: Malala Yousafzai ganha o prémio Sakharov pela liberdade de pensamento no Parlamento Europeu. Com apenas 16 anos esta miúda paquistanesa, contra tudo e todos, expôs os seus ideias activistas, reclamando e promovendo o direito à educação para as mulheres num país onde estas não tem direito a quase nada. Sobreviveu a um ataque Taliban e ainda assim continuou na demanda pela igualdade. É também de louvar o pai de Malala que sempre se apresenta ao seu lado como seu máximo seguidor.
Se isto não é coragem e garra... digam-me o que é. Malala, és a maior, e mereces todos os prémios do mundo.

Falando de casos insólitos.
Este ano foi o ano do ... como é mesmo? Harlem Shake!
Estive a 'googlar' e descobri que o Harlem Shake já é antigo. Teve como origem Nova York, nos anos 80, mas com influencias africanas. Actividade de movimentos orgânicos (para não dizer loucos), similares a animais em histeria, tornando-se realmente popular com uma música lançada este ano com o mesmo nome. E de repente fomos invadidos por inúmeros vídeos de gente em transe, com cabeças de porco, burros, em cuecas, a dançar em cima de impressoras ou balcões de cafés. Enfim, um soltar de endorfinas, adrenalinas ou outra coisa qualquer acabada em 'inas'.
E acho bem, acho bem que, volta e meia, o pessoal se dispa de preconceitos, desça dos saltos, tire as máscaras e.... soltem a franga!
Já dizia Jack Kerouac - "As únicas pessoas autênticas são as loucas, as únicas pessoas que me interessam são as loucas, aquelas que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas; as que desejam tudo ao mesmo tempo. As que nunca bocejam ou dizem algo desinteressante, mas que queimam e brilham, brilham, brilham como luminosos fogos de artifícios cruzando o céu."
No entanto, o Harlem Shake será sempre apenas uma ilustração fraca comparado com esta citação.

Outro caso não tão insólito assim (só para mim o é) foi o subir inexorável aos céus dos 'One Direction'.
Desculpem, miúdos, a culpa não é vossa. A música também nem é assim tão má. Mas o que me chateia realmente é saber que estão onde estão porque são uns putos giros e pouco mais.
O que se passa na cabeça de milhares de adolescentes para idolatrar gajos que não conhecem de lado nenhum, só porque têm os dentes todos, uns quantos músculos e se tornaram famosos? Olhem antes para o vosso colega de turma, aquele que está interessado em vocês e até é 'fofo', em vez de perderem tempo e as cordas vocais a berrar por perfeitos desconhecidos.
Seja como for, boa sorte para os 'chavalos'. E parabéns!

E por falar nos 'One Direction', deixem-me falar da Miley Cyrus.
Este ano também foi o ano 'Miley Cyrus'. A rapariga canta que se farta, e a rapariga também já tem idade e estaleca suficiente para saber o que faz. Não sou especial fã do tique 'linguinhas', acho mesmo que é desnecessário, mas se ela quer ser mais uma Pop Sexy Porn Star, deixem-na ser. Não estaria a ser justa invocando Malala e sua demanda pela liberdade de expressão se julgasse, logo a seguir, a Miley.
Mas é claro que muitas outras questões se levantam. E uma delas é a 'pornografização' (esta palavra não existe...diz-me o nazzi do corrector automático) da figura feminina.
Andamos a ver demasiadas gajas nuas ou semi-nuas, com muito ou pouco talento - isso já quase não faz diferença - e isso chateia. Estão em todo o lado: nos video-clips, nos anúncios de carros, telemóveis, maquinas de lavar, etc. E o pior é que nem são realmente elas, estão todas editadas ao gosto de um mercado surrealista que busca por uma perfeição apenas conseguida a bisturi.
Mas há uma coisa boa no meio disto tudo - Saberão quão bom é o produto dependendo das quantidade de mulheres esbeltas que aparecem neles. Se não aparecer nenhuma, é excelente. Se aparecerem duas, é mediocre. Porque só quem acredita no seu produto não sente necessidade de recorrer a clichés tipo...gajas!

Passando à frente.... Estava quase a atrever-me a falar da austeridade e da Troika. Mas tenho que ser humilde e dizer que não percebo nada. Quanto mais falam, menos eu percebo. Só sei que andam por aí uns gansos muito gordos a papar do prato dos outros. Que anda por aí uma mafia armada em esperta a aproveitar-se da desgraça alheia, oferecendo estágios não remunerados ou dizendo "Empreende ou morre!". E se eu quiser apenas trabalhar e não empreender? E se eu não tiver nenhuma ideia brilhante ou não conseguir nenhum empréstimo para levar avante uma tal ideia brilhante? Morro, né?
Mas deixem-me salvaguardar aqui aqueles que estão realmente a passar por dificuldades extremas, que não é o meu caso, e dizer àqueles que até têm carrinho no próprio nome e ainda assim se queixam: vão-se %&;$&;%...! Enfim!
Porque o Colombo estava cheio! Ah, pois estava! Mas depois queixam-se e nem sequer emprestam 10 euros ao amigo bêbedo para um taxi.
Não quero, nem por sombras, desculpar a corrupção que nos assola. Não quero desculpar ministros e secretários de estado, mais novos que eu, que estão a ganhar salários de 4 e 5 dígitos des-merecidamente, mas também não vou desculpar o pessoal que chora baba-e-ranho porque não pôde comprar o novo iPhone ou avançar na compra de um Porsche.

A raiva do último parágrafo fez-me pensar nas pessoas que morreram este ano. Porque... o que será mais importante que a vida, afinal de contas?
Muita gente morreu em fogos este Verão. Jovens corajosos, outros mais graúdos. Também fica a tristeza pela natureza feita em cinzas.
Do alto da minha ignorância, pergunto - Será assim tão complicado manter um terreno não-tão-vasto-assim livre de tais incidentes?
Fogos postos, gente louca sedenta de avarias, fogos naturalmente nascidos por falta de cuidados, etc.
E porque vão os mais novos para as linhas de fogo? Porque vão os mais inexperientes para os incêndios mais indomáveis? Porque são mais aventurosos, porque são mais fortes? Onde estão os 'capitães' quando isto acontece? A olhar de longe e a bater palminhas? Por favor, não ponham gente de 20 anos em fronteiras desconhecidas...
E quanto aos que ateiam os próprios fogos, um conselho: incendeiam a própria casa, sem ninguém dentro, e depois ponham no Facebook. Mas só nesse caso. Eu dou 'like'! Obrigada.

E quanto a celebridades que faleceram, temos várias. Mas vou-me resumir.
Alexandre Abrão, mais conhecido por Chorão ou Charlie Brown. Compositor e cantor brasileiro. E dos bons. Não se safou, qual Amy Winehouse, a vícios e depressões.
Paul Walker, num acidente de carro. Não era grande actor, acho que todos concordamos nesse ponto. Era muito bonito, acho que todos concordamos nesse ponto também.
Nem sei o que é mais irónico, se o facto de se chamar Walker e ter morrido num carro, se o facto de se chamar Walker e estar sóbrio no momento do acidente, se o facto de ter sido sempre conhecido pelos filmes de carros e ter morrido num. Mas é triste, apesar do humor negro, desculpem lá.
É natural que as pessoas se exaltem com a morte de alguém célebre, fosse qual fosse o seu talento. Não os conhecemos pessoalmente, mas conhecemos de alguma forma. Mas há quem se rebele contra manifestações de pêsames.
Eu tenho uma razão para ficar triste com tais acontecimentos: faz-me pensar em todos os outros que morreram anonimamente e em tão tenra idade. Os célebres servem apenas de marco, de memorando.

E como não podia faltar, Nelson Mandela.
Não, não fiquei triste com a morte de Nelson Mandela. E por várias razões.
Um homem que morre com uns belos 95 anos, deixando para trás de si lutas e batalhas ganhas, 'medalhas' de mérito e todo um mundo em celebração pelo homem que foi, não pode deixar-nos tristes. E o povo africano deixou-o bem claro, dançando e cantando, pela vida e não pela morte. Porque ninguém é eterno, ninguém vive para sempre, e Mandela viveu...e deixou uma herança fabulosa.

Vamos agora da África do Sul para a Coreia do Norte.
Este é um dos países mais falados do momento e é igualmente um dos mais odiados. A Coreia Do Norte é um país distante e desconhecido para a maior parte de nós, mas todos queremos saber o que vai na cabeça daqueles senhores… Ou não queremos? Eu nem sei se quero.
A Coreia do Norte, segundo a organização 'Repórteres Sem Fronteiras', é o único país do mundo onde o acesso `a Internet é inteiramente proibido, sendo somente autorizada a alguns participantes da elite do governo norte-coreano, fazendo a Coreia do Norte um dos países mais isolados do mundo, limitando a população o acesso à informação externa.
Isto talvez explique a fácil lavagem cerebral que o ditador Kim Jong-Il faz no seu povo. Andam às trombadas com a Coreia do Sul e sempre com ameaças aos Estados Unidos, e sei la mais quem. Acho que sao tipos que tem medo ate' da propria sombra.
Nestes casos eu costumo pensar no 'tratado de Tordesilhas', isto é, dividir o mundo em dois. A Coreia do Norte pode ficar isolada num dos lados, o resto do mundo do outro. Haja paciência para tanta loucura!

Mas também temos a Síria.
1,1 milhão de crianças sírias estão refugiadas tendo tido de abandonar a escola. O número de refugiados corresponde a 52% no total. 385 mil foram para o Líbano, 294 mil para a Turquia, 291 para a Jordânia e 77 mil para o Iraque. Outras foram para o Egipto e o norte da África. (fonte Wikipedia)
Nós cá também queremos mudança de governo, mas folgo em saber que não precisámos, ainda, de começar a explodir bombas e a atacar louca e desordeiramente. Outros senhores que ninguém entende.

Para terminar e num nada a ver com o resto: Portugal finalmente decidiu criar uma lei que penaliza quem mal trata animais. Finalmente!
Só não sei em que termos ficam as touradas. Serão consideradas ou nem por isso? Ou continuarão nostalgicamente a falar em 'tradição'? Eu digo-vos: já houve muitas tradições bárbaras, género Inquisição e coisas que tais, que foram abolidas e não deixam saudade alguma. Embora não tenha estado lá.
E já agora, os teste feitos em animais? E os viveiros que são mais 'morteiros' onde são mantidos animais para consumo, em agonia, até serem finalmente mortos? Também serão considerados?
Eu sou uma reles consumidora de carne, em vias de me tornar vegetariana, mas a custo (...talvez porque acredito na cadeira alimentar...) mas maus-tratos desnecessários a animais não me regozijam nem um pouco. É que até um leão quando caça uma zebra, tem o instinto de a matar em poucos segundos, sufocando-a. Não por sentimento, talvez mais por logística: é mais rápido, dá menos luta!
Mas nós não somos animais irracionais, somos?

Haverá muitas mais coisas, mas estas foram as que me tocaram mais ou me chamaram mais à atenção.
Espero que tenham gostado do meu Ano em Revista...e para o ano... há mais!

Feliz 2014



terça-feira, 29 de outubro de 2013

O texto mais lamechas de sempre


Hoje apeteceu-me escrever algo mais lamechas. Mas tenho a nítida sensação que vou acabar por desconstruir a 'lamechice', não fugindo à minha natureza sarcástica e petulante que a tantos irrita, portanto não desistam já à segunda linha (dou-me conta que já comecei a fazê-lo sem realmente querê-lo, mas eu dou-lhe no freestyle).

Será que vou estar a repetir-me? Se calhar sim. Mas acho mesmo que nunca escrevi sobre isto - paixões!
Se é um déjà-vu... deixá-lo ser!

Ora bem, paixões... e o que nos leva a elas...
Adoraria ser um Oscar Wilde (tirando a parte da cirrose) e ser tão brutalmente realista e sábia como ele quando descrevia as suas personagens e explicava o que elas sentiam e porque sentiam o que sentiam. Mas não sou o Oscar Wilde. Não sou esse gajo, sou a Ana Luelmo.

A primeira pergunta que faço é a seguinte - Porquê que nos apaixonamos?

Os mais clínicos e frios dirão que nos apaixonamos quando estamos descentrados, talvez até deprimidos e, como consequência, sentimos a necessidade, ainda que inconsciente, de buscar alegria e excitação no outro. A nossa vida é miserável, sentimo-nos vazios e incompletos, a nossa auto-estima está feita em frang'alhos e é então com uma paixão que reanimamos o sentido das nossas vidas. E pensam eles que nós (os outros) gostamos de pensar que tanta chatice afinal até teve uma razão de ser - foi para melhor saborear aquele momento! Ou não saberiamos distinguir o doce, sem termos conhecido o amargo!
Mas eles continuarão a insistir que estás deprimido. Que não estás apaixonado, estás é doente. No entanto são normalmente tipos de poucos sorrisos e chateados com a vida. Mas recusam-se a procurar a solução numa relação, pois isso não é de gente inteligente!

- Sim, eu já sei porque nasci e porque estive este tempo todo sozinha/o e largada/o à bicharada, era porque estava à espera do amor da minha vida! - que regra geral acaba à chapada, mas não deixa de ser o amor da nossa vida, pelo menos por uns tempos. E aí vêm os bastardos dos clínicos e frios e dizem:
- Eu estou a avisar-te. Estás a tentar resolver a tua miséria com fita-cola e isso vai dar merda. Olha, eu estou tão bem assim, sem ninguém para me chatear o juízo - dizem sem mostrar qualquer tipo de emoção.

Os mais românticos acreditam em.... romance. E posto isto é vulgar dizerem que nos apaixonamos porque não há realmente sentido algum na vida sem que aconteçam eventos como esse. Roçam o enjoativo e são fãs incondicionais da Disney. E ainda que, uma vez mais, acabe tudo à chapada, continuam a insistir que tudo teve um propósito e que ele ou ela vão acabar por voltar. E se não voltam, estarão a desistir da única oportunidade na vida que terão de viver um grande amor 'forever and ever'.

- Vê-se nitidamente que foram feitos um para o outro. Dão-se tão bem. Que bonito! Que romântico! Isso nunca vai acabar!
Ups, acabou.
- Mas ele/ela está confuso/a, vai voltar, tenho a certeza. Algo tão bonito não pode acabar!

O problema destes tipos é que acabam por resumir a tua vida a uma única pessoa e arrasam com qualquer hipótese de encontrarmos alguém novo. Tens de ficar por ali mesmo, senão vais ficar sozinho para sempre. E quando arranjas alguém novo, ficam super contentes, ou não adorariam eles um bom romance, mas volta e meia tocam no nome do 'falecido', só para que não te esqueças de onde vieste.

O pessoal do karma e do destino avisa-nos que qualquer pessoa que passe pelas nossa vidas tem o propósito de nos ensinar algo novo e de nos transmitir uma mensagem. Uns vieram para suprir uma necessidade, outros apareceram para conhecermos melhor a nós mesmos e outros para nos dar lições de vida que ficarão connosco para o resto das mesmas. E que (esta confesso que me 'enerva os nervos'), normalmente nada dura para sempre num sentido prático, mas que, de um ponto de vista espiritual, tudo dura para sempre visto que as as necessidades a suprir foram satisfeitas, as referências deixadas e as lições de vida bem entregues.
Onde está o elefante aqui? O elefante é bem visível. É que normalmente as necessidades não foram totalmente supridas, já que se és romântico ou estás é deprimido, vais querer ficar com aquele pessoa para sempre. E não só não te conheceste melhor, como estás ainda mais confuso, porque acabas de vender a alma ao diabo. Aqui é o meu lado mais clínico a falar.

Depois há os que dizem que é tudo obra do acaso. Que não só o mundo e a humanidade surgiram de um peido espacial, mas como toda e qualquer coisa que aconteça nas nossas vidas acontece de forma aleatória. Se te enrolaste com determinada pessoa foi porque naquele momento te apeteceu e por acaso foste correspondido, mas ninguém escreveu qualquer linha num qualquer livro sagrado sobre tal situação. Resumem tudo a uma total insignificância, retirando qualquer brilho à existência humana e ao acontecimento 'amor'. E o mais provável é que acabes sozinho atirado num lar da terceira idade, porque amor é uma invenção humana que perseguimos enquanto somos jovens e estúpidos e não entendemos ainda que andamos a perder tempo a querer ser mais que um simples peido espacial.

Os tipos da teoria da incerteza são, claro está, aqueles que não conseguem escolher apenas uma hipótese e andam às cabeçadas na parede. E entre cada cabeçada, ora escolhem uma, ora escolhem outra. Até que finalmente voltam a resumir-se à eterna incerteza. Eu estou nesta lista.

Segunda pergunta - Porque nos apaixonamos por determinadas pessoas, mais certas ou menos certas, e por outras não?

Isto acontece de facto. Andamos à procura de um certo estereótipo e acabamos encantados com o seu oposto. Ou então encontramos o tal estereótipo e vivemos uma cena altamente, mas mais tarde, finda a história com o primeiro, não conseguimos sentir o mesmo com outra pessoa até sobejamente semelhante à última.
- Mas têm tantas coisas em comum, porque não consigo amar da mesma forma?

Os clínicos - Porque não consegues fazer uma simples transferência de sentimentos de uma pessoa para outra. Mas chamamos a isso vulgarmente de obsessão. Estás doente, vai-te tratar.

Os românticos - Porque aquela pessoa é o amor da tua vida! Ninguém poderá substituí-la!

Os karmicos - Obviamente porque agora tens de passar a uma fase seguinte, aceita que não amarás esta pessoa da mesma forma que amaste a outra, mas se ela está na tua vida é porque tem algo a acrescentar-te. Let it flow, sister! (corações)

Os do acaso - Whatever...

Os da incerteza - Não sei!! Arggghhh!!! Serão as feromonas que são compatíveis com uns e com outros não? Eu voto nas feromonas!

E como eu me incluo nos gajos da teoria da incerteza, eu também voto nas feromonas. E porque votam os gajos da incerteza nas feromonas se eles não têm a certeza de nada? Exactamente porque não sabem nada sobre feromonas e daí a soar-lhes bastante lógico. Quanto menos souberem sobre o assunto, mais margem têm para se sentirem finalmente com alguma certeza, o que é uma lufada de ar fresco.

Mas qualquer uma das teorias acima descritas pode também explicar os casos em que nos apaixonamos por pessoas completamente inesperadas, aquelas que riscam quase todos os items que tínhamos previamente escrito na lista "A pessoa ideal".
Ou porque estamos desesperados e como a pessoa ideal não aparece, caimos de amores pelo tal inesperado ser; Ou porque o romance é vital e insistimos em apaixonarmo-nos só porque a pessoa tem um andar engraçado que a torna incrivelmente especial; Ou porque fomos destinados a cruzarmo-nos com esta pessoa e sentir o que sentimos porque temos algo a aprender com ela; Ou porque WHATEVER, acontece porque sim e 'tou-me nas tintas; Ou porque 'Não sei, mas a cena das feromonas tem algo que se lhe diga!'.

Em todo o caso, seja demência, seja destino, sejam as feromónas...creio que (quase) todos concordamos que é óptimo estar apaixonado.

P.S. Isto não é uma subtil declaração de amor para alguém. Isto são apenas explosões de ideias. Até porque se isto fosse uma declaração de amor, estava bem amanhada, já que poucas gotas de romance escorrem entre estas linhas.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Empreendedorismo! Porque gosto de palavras difíceis!

Tendo lido há poucas horas um texto sobre o empreendedorismo em Portugal, ou melhor, o empreendedorismo-metido-a-pés-juntos-que-vai-direito-à-barra (de Luhuna Carvalho, em 5dias.wordpress.com), fiquei com aquela coceira desgraçada de dar também eu a minha opinião (cá está um pleonasmo aceitável, Dalila...!). Mas não sobre o texto de Luhuna, que vale a pena ler, mas sobre o tal do 'empreendedorismo'. 
A sensação que eu tenho, e não é recente, é de que nos tentam impingir a ideia de que temos de apresentar um producto, a qualquer custo, que seja vendível e dê lucro. Porque os nossos reizinhos (com letra bem pequena) deram agora numa de nos dar lições de moral, com rápidas passagens nos capítulos de marketing 'as known as' sobrevivência, já que não pretendem largar os seus ossos de valor incalculável nem criar novos postos de trabalho.
E quase nos fazem acreditar que em pouco tempo somos lançados nas luzes da ribalta, como jovens ambiciosos e criativos, sob os holofotes dos nossos 5 minutos de fama, dando o exemplo a todos os outros milhares de criaturas que não tiveram ideias tão 'brilhantes'. Que coisa mais egóica. 


Mas a questão está no que realmente é brilhante ou não. Como refere Luhuna e bem, se o producto se baseia em rolos de papel higiénico coloridos (não vale a pena mencionar a marca), onde está realmente o brilhantismo da coisa? Naturalmente que já criámos muitas coisas úteis e até diria brilhantes, mas de há uns tempos para cá, na euforia de mostrar serviço, têm aparecido, com a mesma velocidade que desaparecem, negócios ou produtos que nem ao menino Jesus interessa.
Estive a pensar seriamente se devia referir ou não aquele producto criado por quem-já-nem-do-nome-me-lembro, apresentado em horário nobre e com o aval de Cavaco Silva (algo que misturava nutella com compota: "basta apenas carregar num botão"). Mas já que não me lembro nem do nome da moça nem do nome da engenhoca, tanto me faz. 
A verdade é que me pareceu ser mais um objecto obsoleto, não querendo desfazer o talento criativo dos seus autores, que não introduz nada de realmente inovador no mercado. Ou se é inovador, pouco me anima. Pelo menos não me vieram as lágrimas aos olhos, nem me deu uma nova e resfrescante visão da vida. Porque me animaria a mim um objecto que juntando dois ingredientes e que pressionando o dito botão me dê em porções iguais os ditos..e voilá! tenho uma torrada com Nutella e compota....? Isso para mim tem outro nome: inércia! ---> Não querer pegar na porra da Nutella e na porra da compota e não querer sujar duas faquinhas que barrarão a porra da torrada. E consequentemente, não querer lavar a porra das faquinhas.
Claro que a cada novo producto inventado, mais postos de trabalho surgem... Mas até quando? Porque não me parece que o spread-it (lembrei-me do nome!) vá fazer grande sucesso.
Okay, a vida não vai realmente mudar muito com esse objecto, só a a tornará um pouco mais inútil. Mais ainda. 

Mas a culpa não é dos jovens criadores (ou talvez seja um pouquinho... espera lá, que sois já todos bem adultos!), mas dos que tentam, sem prévias e razoáveis instrucções, lançar-nos no 'empreendedorismo'. 
- Vá, faz qualquer coisa.... Mesmo que tenha pouca utilidade. O que interessa é que venda! Porque eu cá já tenho a minha galinha dos ovos-d'oiro. 

Hoje, em conversa com a minha mãe, após ver uma reportagem sobre jovens empreendedores portugueses que, atirem-se foguetes ao céu e joguem-se vocês mesmos ao chão, conseguiram integrar a equipa da 'Jimmy Choo Shoes' graças à sua criatividade e audácia (só no final referiram que se tratou de um estágio e sabe Deus onde pára agora a tal equipa brilhante de jovens criativos) :

- Devias fazer coisas assim! E estarias hoje a trabalhar também na 'Jimmy shoes' ou algo semelhante...
- Mãe... mas eu não vejo inovação em fazer sapatos, por muito belos designs que ostentem, se continuarem a usar materiais pouco amigos dos ambiente. Se eu criar algo terá de ser ambientalmente sustentável. Se não for, prefiro ficar quieta.
- Mas porquê?
- Porque não quero, pague o preço que pagar, contribuir para a acumulação de objectos/resíduos no planeta. Mas que os sapatos são bonitos, isso são...
- Então faz algo ambientalmente sustentável! 
- Sim... Mas dá-me tempo. Sou um génio da lâmpada apagada, por enquanto.

Porque integrar uma equipa de uma marca supra-conhecida é mega empreendedor? Não... é só uma escalada social que, ainda não sendo fácil e parabéns aos que lá chegaram, pouco me diz. Porque sapatos há muitos, seu palerma!

E nisto chegamos ao ponto fulcral da mensagem. Se queremos fazer carreira e ganhar um bom dinheiro para pagar a renda e a Internet mais-rápida-que-a-própria-luz, okay, atirem-se na criação de 'trancaria' que o público certamente comprará.
Mas se o que queremos não é apenas ganhar um bom dinheiro para pagar as contas, mas sim contribuir com algo realmente positivo, comam com a austeridade porque ela não vos avalia os valores e éticas e continuaremos a ser explorados e espezinhados em call-centers e afins, sob a chefia de imbecis que nem escrever sabem... Mas no dia em que vos sair uma ideia visionária que não só vos trará dinheiro, mas também reconhecimento merecido, então aí terão um lugar nas enciclopédias. Ou melhor ainda, realização pessoal!


Fico pouco emocionada com a projecção mediática de jovens que, coitados, tiveram que criar alguma coisa mais-ou-menos interessante para que eles mesmos pudessem não apenas comprar a Nutella, mas inclusivé o pão para fazer as torradas. Fico, sim, impressionada com a falta de um alinhamento inteligente e visionário (e não me imaginem em grupos 'shanti-shanti' em adoração ao astro sol, ainda que mal nenhum veja nisso: não misturemos religiões com factos há muito por assimilar....e um deles é a sustentabilidade), que nos ensine não só a empreender para ganhar dinheiro, mas que igualmente nos ensine a empreender no caminho certo.
E não falo apenas da sustentabilidade natural de um planeta já demasiado carregado de esterco, mas também da sustentabilidade e estabilidade dos próprios empreendimentos que, ainda que sejam bons, não têm mercado que os mantenha vivos. Essa parte está também a escapar. Porque nos incentivam tanto a abrir negócios se a população não pode investir neles? Quem é que vai comprar o Spread-it (valha-nos a Santa Sé, que nome...) se nem dinheiro há para mandar cantar o cego?


Cortem lá o que quiserem. Cortem lá as pensões de viuvez, cortem lá os subsídios de invalidez. Mas não tentem cortar a inteligência da minha geração. Já que não cortam os próprios pulsos.